em branco

eterna quarta de cinzas

Segunda, terça, quarta
quarta, quarta, quarta!
Em São Paulo é quarta-feira de cinzas todo dia,
todo dia o samba morreu,
todo dia.

Segunda, terça, quarta
quarta, quarta, quarta!
Eterna e sufocante quarta de cinzas,
como se o vulcão do Jaraguá,
modorramente desadormecido,
expelisse sua borra
aos poucos,
todo dia,
dia a dia,
- segunda, terça, quarta,
quarta, quarta, quarta! -
em cima da cabeça do paulista,
nos cabelos da paulista,
na salada,
no pintura da roda cromada,
no chão sala da dona de casa.

Em São Paulo só existe alegria no domingo,
depois da maCarronada com a família, antes do fantástico.
Você acha, meu caro carioca, que eu vou sambar neste par de horas?

Um comentário:

Caranguejúnior disse...

a felicidade...
é poder descer do metrô sem levar uma cotovelada nas costas...

Muito masssaaa Paulo!!
abraço!