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Eu seguia na rua, como a uma mulher grávida, sem conseguir olhar os pés. Eu seguia na rua, como a purpurina em um pote aberto, em que o vento da noite passa e te esparrama pelo asfalto. Eu seguia na rua e não seguia mais cega. Eu parei de empurrar o corpo para frente fingindo levá-lo para casa. Eu parei de bussolar os meus pés birutas. Eu parei de escarpaniar, de sapatear e de tamancar Eu simplesmente ouvi o seu "pé-raí!" e parei. Eu grudei toda a carne na parede pixada da estação da luz. Desestiquei os olhos. Abri os pés e andei parada. Eu era a estação da luz a olhar os meus passaligeiros passar por mim.
Um comentário:
Karla, que lindo!
Mulher grávida que não vê os pés... é um futuro desconhecido que ela está esperando
nem tenho o que dizer :))))
bjs!!!!!!!!
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