em branco

Porque eu preciso de um pouco de paz


Imagem: Trovadores na Idade Média


Na Papoetaria do dia 19/11, Carolina Hermanas, apresentou-nos ao Country, esse universo musical milionário norte-americano. Carolina leu para nós a letra de That September Day, de Alan Jackson (tradução abaixo). A ideia não era que fizéssemos um country, claro, mas que a letra servisse como um disparador de escrita. A sugestão de Carolina foi que, como muitas vezes as letras countrys são poemas narrativos, nós também contássemos uma história em nosso poema. Veja o resultado abaixo: 

Naquele Dia de Setembro - Alan Jackson (trecho)

Onde você estava quando o mundo parou de girar?
Naquele dia de setembro,
No quintal com sua esposa e filhos
Ou trabalhando em algum estágio em Los Angeles
Você fica lá em estado de choque
À vista daquela fumaça negra subindo contra aquele céu azul
Você quis gritar de raiva e medo para o seu vizinho
Ou você só sentou e chorou
Você quis chorar pelas crianças que perderam os seus queridos
E rezar para os que não sabem
Você se alegrou com o povo que andava entre os escombros
E chorou pelos que estavam embaixo
Você explodiu de orgulho para o vermelho, branco e azul
E os heróis que morreram apenas pelo o que fazem
Você olha para o céu por algum tipo de resposta
E olha para si mesmo e o que realmente importa
(Para ver a letra completa e ouvir a canção, clique aqui


Apenas Mais Um
Marcelo Tadeu

Um homem nascido para sofrer
Um homem marcado pelo destino
Sem amigos
Apenas um número
Apenas mais um
Faça sol ou faça chuva
Ele está ali, caçando o que comer
Como um animal na floresta
Faça sol ou faça chuva
Ele está ali, procurando um lugar para dormir
Um homem sem nome
Sem motivo algum para viver
Faz o que faz
Simplesmente por fazer
Simplesmente um homem
Tentando não morrer


Ser do Outro Mundo
André Dia(s/z)?

 
Enterrou-se no sofá,
deu as costas para a mãe:
Na tela da TV
rolava o desenho animado,
e para a infância foi transportado.
O Fantasminha Camarada
chorava a solidão
e o homem já calvo chorou junto,
chorou aquela metáfora da intolerância,
da exclusão àquele que é diferente.
A mãe ficou brava,
“Onde já se viu homem chorar com desenho?”
Ele, como o fantasma, esgueirou-se
e mergulhou nas trevas
conformado com sua condição
de ser do outro mundo,
O Mundo dos Poetas.


um minuto antes
Paulo D’Auria

 
eu estava no avião um minuto antes
sabia pra onde íamos
eu dava as ordens no avião um segundo antes
depois disso
o tempo parou

10 homens choravam
11 mulheres rezavam
8 crianças gritando
14 pares de olhos perplexos
somando somando até fechar a conta
o avião lotado
eu distribuindo as cartas
marcadas até uma fração de segundo antes
depois disso
o tempo

a primeira torre já era um rolo de fumaça
a torre nº 2 crescendo no vidro do avião
abri bem os olhos para ver
eu não erraria o alvo

eu estava dentro do avião um minuto antes
depois disso
e mesmo agora
quando você olha para o lado
quando você não me vê ao seu lado
quando você tem medo
e quando você nem imagina

eu estava lá naquele dia e agora
aqui
penetra da sua festa
10 homens se gabando
11 mulheres ostentando
8 crianças rindo
14 pares de olhos contemplativos
sorrindo sorrindo até fechar a conta
o país inteiro

eu estava no avião um minuto antes e agora
nesta fração de segundo e depois disso
dentro
do tempo


 
Um Pouco de Country, Por Favor!
Carolina Hermanas

Ela chorava quando olhava pela janela da sala
A chuva caindo bruscamente em meio ás pessoas,
Que caminhavam pela calçada cintilante de água pura.

Vestiu seu casaco grande,
Mas esqueceu do guarda-chuva,
Gostava de ser livre,festejar na rua!

Esqueceu do seu medo de amar,
Esqueceu de tudo que a fazia chorar,
Focando apenas na vontade de encontrar.

Encontrar uma válvula de escape,
Encontrar um quadro pintado de azul,
E não uma mão áspera,estúpida,
Desenhando um coração preto.

Ao lado dum poste vibrou junto á música,
Uma melodia suave ficava com a segunda voz,
Sendo a primeira o som da chuva.
Perguntou para o senhor o quê era
E ele respondeu : - Country.

A chuva cessou e o som se esvaiu.
Por um segundo,
Esqueceu dos problemas,
Encontrando um meio de distrair-se.

Aproximou-se do senhor novamente:
— Toque — disse a menina.
— Por quê? — respondeu o velho, tocando seu violão.
— Porque eu preciso de um pouco de paz. Um pouco de country, por favor!

3 comentários:

Caranguejúnior disse...

Massa poetada!

Ana Parreira disse...

AOS POETAS DO TIETÊ

Oi caríssimos!
Preciso entrar em contato com vocês, por favor me escrevam no villa.aspie@gmail.com, pode ser?
Um abraço e obrigada
Ana Parreira

Autora de
"TANGO PARA OS LOBOS - Cantos Proibidos de uma Aspie", edit. Russell (ainda não está nas livrarias, só no nosso email acima)

Marluce Aires disse...

Parabéns poetas, aproveito esse tempo e espaço para mais uma vez desejar a essa turma alegre, que escreve porque ama, um Feliz Natal, a cada um , e aos seus familiares. Abraços fraternos dessa velha amiga...