em branco

para/pára


1) Ai, que saudades do meu banquinho!

Para Roma
Para Pedro
Para você
Para o quê?
Parado aí ou para onde?

Desde que o acento caiu
eu já não sei se paro ou continuo!
Agora nenhum para pára,
Agora todo para vai para algum lugar.

Para Para Para!
O assento sumiu e eu já não tenho mais descanso...
Ai, que saudades do meu banquinho!

2) Diálogo improvável

- Para... taxista
- Para onde, seu moço?
- Não! Para! Para! E me leva para um hospital! Tô com um... agudo no peito...
- Seu moço, ó, para não leva mais agudo, não...
- É infarte! Infarte!
- Seria... infarto...?
- O senhor é professor de português ou o quê?
- ...Professor de português e... taxista nas horas vagas... Com esse salariozinho, né?


Ideias ?

Sorry, mestres...
Sou teimoso
e incorrigível
com minhas
idéias

hora de acordar

Brasileiros e portugueses nunca acordam, competem em tudo.
Os brasileiros dizem que os portugueses são burros, e os portugueses que os brasileiros são malandros.
Os portugueses acham que toda brasileira é fácil, e os brasileiros que toda portuguesa é buçuda.
Os brasileiros acreditam que falam português, e acrescentam, portugueses falam um português tão enrolado que ninguém os entende.
Já os portugueses pensam que os brasileiros estragaram a sua língua, e preferem acreditar que brasileiros falam brasileiro.

Portugueses e brasileiros nunca acordam, mas de repente resolveram ressuscitar um acordo ortográfico que dormia a sono solto nas gavetas de confortáveis gabinetes.
Um acordozin de nada, pequenin, pequenin... mas que já serviu para que brasileiros e portugueses encontrassem novos motivos para rusgas.

Língua oficial em 9 países (Portugal, Brasil, Angola, Guiné-Bissau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Macau e Cabo Verde), o português é a língua nativa de mais de 240 milhões de pessoas, o que lhe garante o lugar de 5ª língua mais falada no mundo, mas ainda assim é considerada por muitos uma língua exótica. Por quê?Ora, se não conseguimos nem definir se queremos enfiar uma berinjela no alforje ou uma beringela no alforge, o que temos feito de fato (ou de facto) para divulgar nossa língua e nossas culturas mundo afora?

Juntos temos Camões, Machado, Pessoa, Drummond, Saramago, Amado e outros mestres incontestáveis da literatura mundial, mas raramente lidos em países não lusófonos.

A entrada em vigor deste acordo poderia ser encarada como uma oportunidade para esquecermos por um momento esta relação pai turrão/filho malcriado e, juntos, divulgarmos nossa amada e última flor do lácio.

Já não passa da hora de brasileiros e portugueses acordarem?

beijo de línguas


Imagem: http: //blog.wired.com
Tua língua é fonte
de minha sede.
Tua saliva me seca.



Pelo fim da sede
reformemos o normal,
o igual
o usual.



Para que a tua língua portuguesa
e a minha língua brasileira
se entendam
e se desentendam,
briguem e acordem
juntas,
lutem e bebam
do mesmo copo,
da mesma boca.

tremam delinquentes!


Tremam delinquentes,
vocês já não aguentam muito tempo!
Não importa se trazem a algibeira abastecida de linguiça,
não importa se são muitos, se são cinco, se são cinquenta,
se são gaiatos e estão tranquilos,
se vêm a pé ou se montam equinos,
se espremem suco das dores em liquidificadores,
se são de Cataguazes ou de Birigui,
se trazem os unguiferos afiados,
se fervem unguentos amaldiçoados,
se tramam iniquidades e sequestros!
Tremam!
Vós já não aguentais tempo algum,
estão sozinhos agora,
o trema caiuuuuuu.......

.............................. pum!

O PAÍS DA REFORMA


BRASIL!!
O país da Reforma

É reforma do judiciário

tributária...
Reforma Legislativa

Agrária...
Reforma da previdência

Imaginária...

Reforma da emenda constitucional !!
Porra... cá pra nós...
se esta emendado,joga fora, vai ficar reformando...?

E agora reforma ortográfica


É tanta reforma, tanta reforma...

e o país ainda precisa de conserto...




Caranguejúnior

caga regras

(por Ferrari)

o rei
caga regras
decretou:
cu (com acento)
não caga
não pia
não peida

eu comi
eu bebi
eu pensi
foda-si
o rei
ame-me
assim
ou amém

o sol bate
igualmente
na privada
na bosta
na coroa
no cu com
no cu sem
acento

eu comi
eu bebi
eu pensi
fodeu-si
aquele
que obriga!
por pudor
ficará
com dor
de barriga

barba, poesia e bigode


Eu me apresento diante de ti
totalmente novo,
reformado,
reformudado
para você,

mas é preciso que você entenda,
reformas são tapeações,
você pode pintar o madeirite de um casebre,
e ele será o compensado do casebre pintado,
nunca será tijolo;

você pode quebrar a janela de uma mansão
e ela será a mansão da janela quebrada,
jamais um casebre,

você pode saquear o castelo do deputado,
pichar que Eric Clapton is God no muro do Vaticano,
mas não pode matar o cleptomaníaco que vive no bastardo,
não existe essa criptonita dos desgraçados:

só o super-homem tem fraquezas,
os super-egoístas, os super-canalhas, os super-tiranos
gozam de excelente saúde muito bem obrigado,
nunca ouvi falar de um
que tenha morrido de velho.

Reformas não são revoluções,
reformas não custam o pescoço de Maria Antonieta,
no máximo, distribuem brioches para os puxa-sacos.

Você pode condenar Imelda Marcos,
pode tirar-lhe o Prada do pé,
calçar-lhe Havaianas na prisão,
mas não pode arrebatar o Prada do coração de Imelda;

você pode bombardear o Iraque,
defenestrar Saddam de um buraco,
pode até eleger o Barack,
mas não pode arrancar o idiota
do peito do americano médio;

você pode pintar o Michael Jackson de azul, branco ou amarelo,
pode congelar o garotinho negro cantando Been
e descongelar em 3022,
mas não pode sacar o louco
da alma de Mr. Jackson;

Você pode ignorar o Machado,
furar o olho do Camões,
mas na roda de samba
ou no bar de fado,
tira acento, põe acento, não importa
será com a boa e velha língua portuguesa,
que dirá à sua linda lindeza,
que ela é a sua cereja;

você pode saquear o castelo do senhor feudal,
subir na mesa e tomar um chá gelado,
subir na mesa e dançar chá-chá-chá pelado,
acreditar que Maradona é um transformista paraguaio da Madonna,
você pode ter fé,
acreditar que Maradona é o Messias que ressuscitará,
mas ele nunca vai jogar mais do que Pelé,

você pode ter fé,
pichar que Eric Clapton is God no muro do Vaticano,
mas não pode arrancar o diabo lá do fundo,
do fundo, do fundo de seu buraco mais profundo
do mundo.

Por você eu posso implantar cabelo,
deixar crescer bigode,
mas eu nunca vou ser o Eric Estrada, rua, avenida, nada.

Por tanto eu me apresento diante de ti,
totalmente novo,
reformado,
reforMULAdo,
para que me aceite
exatamente,
igualzinho,
do jeitinho
que nasci.

o português e o tijolo

(Karla Jacobina)



Que um pedreiro e um tijolo subam juntos num andaime
Que o pedreiro e o tijolo cheguem bem alto
Que um português seja engenheiro
Que o português tenha uma filha encapetada, de sete anos, daquelas piolhentas
Que no café da manhã, os piolhos da piolhenta saltem pra cabeça grande do pai
Que o pedreiro e o tijolo continuem subindo
Que o português chegue na obra
Que o pedreiro e o tijolo cheguem mais alto um tantinho
Que o português, por coceira do destino, tire o capacete da cabeça ao meio dia e trinta e nove
Que o pedreiro tenha tomado uns goro na hora do almoço
Que o pedreiro até a tampa, deixe o tijolo cair lá de cima
Que o tijolo despenque girando
Que o português continue coçando
Que o tijolo continue girando
Que o português coce mais um cadinho
Que o tijolo gire mais rápido
Que o português quebre a cabeça bem no meio com o tijolo da reforma



Mais sobre a autora, acesse:
http://karlajacobina.blogspot.com

Circunflexo

A bunda
está
nua
por
debaixo
do
jeans...
Ávida
por
um
afago...
moreno...
obsceno...
faceiro...
Mas a face
séria
espanta
os
amantes...
São tudo
aparências...
fachada de
casa tão bonita...
Lá dentro,
Gritos...
dor...
Lágrima...
Simplesmente
é tudo tão sem
nexo...
Então, por favor...
Não me obriguem
a colocar
o acento
Circunflexoooooooooooooo!!!!!!!!!!

Deus seja louvado!

Eu não sei escrever...
Eu só sei sentir
Sinto um desassôsego...
preencher a alma...

De questões
sem resposta...
E que me importa...
A pontuação?

Que me importa
a ortografia?
Só quero
me agarrar
ao papel e a caneta...

Voar
nessas asas imaginárias...
Não me compreenda...
Imprima esse poema...
E o coma com azeite!

Debaixo da oliveira
Ouvindo o ancião...
falar numa lingua morta...
Que você deve se libertar...

Afinal, são tudo
pontos de vista...
Percebo isso, ao ler:
"Deus seja louvado!" Numa nota imunda de 5 reais!

tema do mês de março: reforma ortográfica

Em março os Poetas do Tietê têm como tema a Reforma Ortográfica.
Se você ainda não está sabendo, novas regras ortográficas passaram a vigorar na língua portuguesa desde 1 de janeiro de 2009... Eu disse novas?

Well... este acordo que agora entra em vigor foi discutido por linguístas de todos os países que falam português entre os anos de 1986 e 1990! Já são mais velhas que alguns integrantes dos Poetas do Tietê!

Dizem as más línguas que rolaram altos barracos durante as negociações para a elaboração do acordo. Fico imaginando os ilustres intelectuais nervosíssimos por terem de abolir o p de óptimo! Irritadíssimos por que suas idéias seriam reduzidas a meras ideias!

Teve até um deputado português, cioso de seus actos e acções, que discursou no parlamento europeu dizendo que o acordo só "serve a interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo, em especial do nosso país."

Mas nas negociações o Brasil só enviou o Antonio Houaiss! Sim, sim, o Houaiss! Aquele bom e frágil velhinho morto em 1999! Será que foi a bengaladas que ele impôs os interesse brasileiros sobre os interesses dos demais 40 milhões de falantes de português do mundo?

É por essa e outras que eu sempre digo: não adianta tirar o acento de assembleia, tem que tirar o assento da assembleia destes de-putados!Assim lá como aqui!

PS.: Neste sábado, 07/03, os Poetas do Tietê farão seu sarau ambulante mensal às 11:00H em frente à Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo. Quer conferir? Te vejo lá!

o causo do hífen

E tem o causo do hífen...
Não! Eu disse hífen, e não hímen!
Não confunda!

O hífen é um sinal diacrítico utilizado entre palavras para...
Eu sei lá para quê! Pensava que dia crítico era outra coisa...Já o hímen é uma membrana...

Pensando bem, hífen e hímen não passam de coisinhas insignificantes e supervalorizadas em torno das quais está sempre acontecendo alguma confusão.

Mini-saia por exemplo levava hífen, agora leva dois esses.
Concluiu-se que o caráter demasiado sutil da mini-saia estava levando ao desaparecimento dos hímens, digo, dos hífens... Não! Dos hímens mesmo!
Enfim, com dois esses a minissaia ganhou dupla camada de tecido e babados extrarreforçados. - (Gostaram? Esta já é a forma nova, muito mais robusta que extra-reforçados. Se é para reforçar, vamos reforçar, oras bolas!) - A liga das senhoras católicas agradece.

Outras palavras que levavam hífen e não levam mais:
Extraescolar - A forma descolada da versão anterior estava levando os alunos a matarem aula quando a atividade era extra-escolar. Mas assim, com a escola na cola, fica mais difícil. Os bedéis agradecem.

Autoestrada - Agora a estrada ficou muito mais segura. Era óbvio que ninguém podia dirigir com segurança em uma auto-estrada. Ela podia desfazer-se em duas a qualquer momento!

Autoaprendizagem - Aprendendo sozinho, sem a autoridade presente de um professor, o sujeito tendia a tornar-se dispersivo. Mas a autoaprendizagem é mais coesa, dá menos vontade de fazer aquela pausa para o cafezinho.

Infraestrutura - Este caso era urgente, gravíssimo! Infra-estruturas rompiam-se com uma facilidade assustadora! Agora nossas pontes, hospitais, escolas, - enfim, o todo que compõe a infraestrutura de um país, - estão muito melhor estruturados.

Em compensação, concluiu-se que microônibus não correspondia a realidade. Palavra demais para pouco ônibus. Virou micro-ônibus. Nada mais justo.

Mexeram, mexeram, mas vice continua sempre levando hífen. Sem exceções. Que é para o vice-rei, o vice-almirante e o vice-presidente colocarem-se em seus lugares e não virem se meter a besta! Vicepresidentes o caramba! Podem ir tirando o hifenzinho da chuva!

Arco-da-velha permanece igual, com hífen.
Graças a Deus! Que era só o que me faltava, nesta altura do campeonato alguém querer mexer no hífen da velhota!

Neste tempos de crime organizado, mais grave é o caso do co-réu. O réu, com a influência que tinha, corréu com ele!

memórias de um jovem rockeiro - epílogo - the union village band

crônica publicada originalmente em http://paulodauria.zip.net em 21/01/2007

Ontem (20/01/07) fui a um show do Lô Borges no Sesc Pompéia, as tietes usavam camisetas com os dizeres “Nós somos clubeiros.”
Fiquei pensando nessa reunião de talentos: Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Milton Nascimento, Fernando Brant, Wagner Tiso, Toninho Horta...
“Vento solar e estrelas do mar, A terra azul da cor do seu vestido. Vento solar e estrelas do mar, Você ainda quer morar comigo?” Pense, caro leitor, em uma lista pessoal com as dez mais belas canções brasileiras. Pensou? Uma não é do Clube da Esquina?

Os mineiros do Clube da Esquina são mágicos e foram um sopro de renovação na música brasileira. Assim como foram os baianos do Tropicalismo, os cariocas da Bossa Nova, os paulistas e paranaenses do Lira Paulistana, os pernambucanos do Mangue Beat.

É que o brasileiro não nasce, estréia. Brasileiro é artista mesmo. Do pagode ao rock de garagem, qual brasileiro não formou nas esquinas de sua juventude o seu próprio Clube da Esquina?

Eu tive o meu. Nas esquinas da Vila União, Freguesia do Ó, encontramo-nos eu, João, André, Davi e Izal. Todos mais ou menos poetas, todos mais ou menos músicos. Trocando idéias e namoradas; tocando violão na pracinha e sonhando com o futuro, “O sol daqui é a lua, A nossa escola é um bar, Abriram a porta do hospício, A cadeia virou motel... Psicotropólis, Psicotropólis, Aqui você vai pirar!”
"Psicotrópolis" foi nosso primeiro hit. Ia rolar um festival no Senac onde o João estudava, queríamos arrebentar, a idéia era fazer uma música meio Arrigo Barnabé (com minha irmã nos backing vocals), quebramos a cabeça, saiu Psicotrópolis, uma criação coletiva.

Depois, não me lembro mais os motivos, João e Izal, os mais "músicos mesmo" da turma, acabaram indo tocar Psicotrópolis sozinhos no festival.
A música ganhou versão acústica improvisada, virou um blues... e faturou o festival!

Mais tarde, cada um tomou seu rumo e o Brasil perdeu o The Union Village Band cedo demais.
João e Izal permaneceram na música. Formaram o "Leito de Pedra", que concorreu - e venceu - em vários festivais escolares.
Foram os "Beatles" da Freguesia, os "Rolling Stones" eram uma banda chamada "Óculos Escuros" que já tinha tocado no famoso "Café Piu-Piu", no Bexiga.


Atenção, esta crônica é baseada em fatos reais. Nomes, datas e locais podem ter sido alterados devido à avançada senilidade do autor.

memórias de um jovem rockeiro - 5 - discografia básica

Comecei minha coleção de álbuns de vinil em 1977, com “Entradas e Bandeiras”, Rita Lee e Tutti Frutti. – Embora a própria Rita já tenha declarado que não gosta deste álbum, ele segue sendo o meu preferido de sua discografia. Depois que abandonou as guitarras de Carlini, Rita nunca mais foi tão roqueira.

O álbum traz, entre outras, “Coisas da Vida” (que, ainda segundo eu mesmo, divide o posto de melhor canção de Rita com “Ovelha Negra”) e três canções co-assinadas por Paulo Coelho - sim, antes de ser um escritor medíocre, ele era um ótimo letrista de rock. (Não vai aqui nenhum julgamento de valor, pela fortuna que ele ganha eu escreveria filosofias muito mais rasas que as suas).

Em 1977 a maioria dos álbuns clássicos das grandes bandas já haviam sido lançados:

Led Zeppelin IV (aquele do velhinho com o feixe nas costas) é de 1971.

Deep Purple in Rock é de 1970.

The Dark Side of the Moon, Pink Floyd, é de 1973,

Eu poderia ter curtido minhas primeiras fossas ao som de Starway to Heaven, Child in Time ou The Great Gig in the Sky, mas por acaso foi com Tomorrow do King Crinsom, nos vocais, ainda, Greg Lake do Emerson, Lake & Palmer que derramei minhas lágrimas para Regina, minha primeira paixão, uma garota talvez dois anos mais velha do que eu.

Depois dela, muitas paixões vieram, e claro, muitas canções as acompanharam. Os nomes das paixões não veem ao caso, mas as canções são estas:

Catch the Rainbow, do Rainbow; Hotel California, (eu sei que o leitor já ouviu esta canção do Eagles duzentas vezes, mas alguma vez já notou que o solo de guitarras é na verdade um sensacional “duelo” de guitarras? Não? Então vale apenas ouvir duzentas e uma!); Mistreated, Deep Purple; Children of the sea, Black Sabbath; China White, Scorpions; Maybe, Janis Joplin; Soon, Yes.

Em algum dia na confusão da gaveta do tempo, caiu em minhas mãos uma fita com 4 músicas do Uriah Heep. Foi paixão ao primeiro acorde. Saí vasculhando as lojas de disco da Lapa e do Centro e montei quase toda a discografia da banda em vinil, mas aquelas 4 canções da fita eu não encontrava.

Aí apareceu o CD. As Lojas Americanas sempre tinham uma grande banca de promoção de CDs. Álbuns clássicos, que todo fanático por música precisaria recomprar em CD. Vasculhando uma dessas bancas encontrei ”Salisbury”. Uma capinha ruim, um tanque de guerra azulado... Não botei a mínima fé... Mas quando coloquei no cd player, lá estavam as 4 canções que marcaram a minha adolescência: “Bird of Prey", "The Park", "Time to Live" e "Lady in Black". Curiosamente, não estão relacionadas a nenhuma paixão.

Até hoje "Salisbury" é o único CD que tenho do Uriah Heep. - Tenho ainda todos os meus vinis, alguns cheios de pipocas, inaudíveis, mas carinhosamente guardados. (Mesmo porque, devo confessar, esses ouvidos velhinhos ainda preferem o som do vinil. O som digital me cansa, me dá dor de cabeça etc, mas o som analógico posso ouvir o dia todo).

Para terminar esta dicografia básica, uma canção e uma namorada para sempre gravadas em minha memória: “Angie”, Rolling Stones.

Será que ela ainda se lembra?

O Mistério do Samba



O samba não é carioca
O samba não é baiano
O samba não é do terreiro
O samba não é africano
O samba não é da colina
O samba não é do salão
O samba não é da avenida
O samba não é Carnaval
O samba não é da TV
O samba não é do quintal
Como reza toda tradição
É tudo uma grande invenção

O samba não é emergente
O samba não é da escola
O samba não é fantasia
O samba não é racional
O samba não é da cerveja
O samba não é da mulata
O samba não é playboy
O samba não é liberal
Como reza toda tradição
É tudo uma grande invenção

Não tem mistério
Não é do bicheiro
Não é do malandro
Não é canarinho
Não e verde e rosa
Não é aquarela
Não é bossa nova
Não é silicone
Não é malhação
O samba não é do gugu
O samba não é faustão
Não é do gugu
Não é do faustão
Sem mistério


Mundo Livre S/A