(Karla Jacobina)

Que um pedreiro e um tijolo subam juntos num andaime
Que o pedreiro e o tijolo cheguem bem alto
Que um português seja engenheiro
Que o português tenha uma filha encapetada, de sete anos, daquelas piolhentas
Que no café da manhã, os piolhos da piolhenta saltem pra cabeça grande do pai
Que o pedreiro e o tijolo continuem subindo
Que o português chegue na obra
Que o pedreiro e o tijolo cheguem mais alto um tantinho
Que o português, por coceira do destino, tire o capacete da cabeça ao meio dia e trinta e nove
Que o pedreiro tenha tomado uns goro na hora do almoço
Que o pedreiro até a tampa, deixe o tijolo cair lá de cima
Que o tijolo despenque girando
Que o português continue coçando
Que o tijolo continue girando
Que o português coce mais um cadinho
Que o tijolo gire mais rápido
Que o português quebre a cabeça bem no meio com o tijolo da reforma
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