em branco

'' SPORT CLUBE DO RECIFE ''


ouço
a zuada da multidão
entrou em campo
o leão
seu rugido de campeão
faz tremer o chão
a terra
a ilha
do retiro
é seu território
sua morada
sempre a espreita da caça
esperando
o apito inicial
para os adversários
coisa infernal
caçador
matador
sport é raça
paixão
pra mim
meu sport
é religião...


Jr um rubro negro, negro...

Chutebol

Renato Silva - Das nuvens



Vai ser chutebol
a tarde inteira
Pega o gelol
e a caneleira

O tempo a gente chuta de chuteira
Cobra lateral de lá da beira
Arruma confusão, luva, barreira
Bebe água da torneira

Vai ser chutebol
a tarde inteira
Pega o gelol
e a caneleira

Mete um cartão em quem faz cera
Dribla de chapéu, lençol, chaleira
Chinelo vira trave, brincadeira:
que goleiro fim de feira

Todo brasileiro é
unha e carne com os dedos
de Pelé

Todo brasileiro é
unha e carne com os dedos
de Mané.

Hino da Portuguesa (Roberto Leal/ Márcia Lúcia) *

















Vamos à luta, ó campeões,
Hão de vibrar os nossos corações.
Da tua glória, toda a certeza.
Que tu és grande, Ó Portuguesa.
Vamos à luta, ó campeões,
Há de brilhar a cruz de teus brasões,
E tua bandeira verde encarnada,
Que é a luz de tua jornada.
Vitória é a certeza
Da tua força e tradição
Em campo, ó Portuguesa,
Pra nós és sempre o time campeão.


* Trata-se do hino atual.Há também a primeira versão.

A mãe do juiz

Desculpa, viu mãe?
Eu não ligo, filho.
Não te levo mais no jogo.
Eu não ligo, filho.

Não importa o que faça...
Nunca ficam contentes,
Sou sempre ladrão!

A sopa tá esfriando, filho.
Eu tive que expulsar o cara!
Deus tá vendo, filho.

Tinha que sobrar pra senhora!
Me importa que faça o que gosta, filho.
Mas...Não gosto!
O quê?!

Eu queria estar lá, jogando!
Não acredito! E eu só levo xingo!!
Calma, mãe! Aiii!! Minha orelha!
Toma, seu filho da mãe!!!

bate bola

Depois de cumprir o tempo regulamentar, dava um jeito de driblar a namorada e correr pro abraço da outra. É, tinha duas. Não que fosse craque, show de bola. Tinha porque, naquele campeonato, eram mais rosas que azuis.

Jogava seu futebol direitinho, mas não era assim, um Ronaldinho. Apesar disso, vivia a se vangloriar de altas goleadas e na maior cara dura, contava pros amigos que não ficava cansado nem na prorrogação. Dizia que a torcida fazia festa que só vendo.
A galera vibrava e ao mesmo tempo esperava pelo dia em que o famoso levaria o cartão da namorada.

Dito e feito, não deu outra. Tomou uma bicuda, daquelas de fazer dó. A outra, ressentida, também não lhe deu guarida e avisou lá do banco de reservas que só jogaria de titular no dia em que seu passe triplicasse. Nosso craque, reformado, hoje bate bola num clube de várzea, lá na Vila das Saudades.

super-futebol

(Ferrari/?/André/?)

no segundo tempo
do dia
assistia meu pai
assistindo o jogo na tv
pra mim era só
coisa de gente adulta
gente junta
eu lia gibi
sozinho
coisa de gente só
toquinho
fingindo que era
o que não era
batman
outro heroi
entrando de sola
no arquinimigo
homem travesseiro
enquanto embaixo
na pracinha
os menimos
chutavam a bola
pra cima
hoje penso e acho
que ler e chutar
eram a mesma busca
e me pergunto
seria o grito de gol
encontrei!
ou apenas aviso:
olha o fusca!

- - - - - - - - - - -

de André pra Ferrari
de volta pra André

no país do futebol

no país do futebol 
nasceu pra ser poeta 
sempre amou 
gol de letra

arbitrário

Aquele árbitro tava de brincadeira... anulou o gol de chaleira, deu impedimento onde não havia, mostrou cartão pra bicicleta do atacante. Naquele clássico, um bando de filhos de uma boa desesperados corriam atrás da bola. Fez chuva, fez sol, fez ola. E o árbitro preocupado com a camisa pra fora do volante, nem viu quando o goleiro chutou forte e, lá de longe, marcou seu gol de tiro de meta. Não validou e a torcida, emputecida, deu cartão vermelho pro trio que saiu escoltado, enquanto o pau comia solto naquele estádio.

Torce a dor

Na obra...
Não é ninguem,
Abaixa a cabeça
para o patrão...

Salário de miséria,
Enrolará a noiva...
Fazer familia?
Não é louco...

Tem mãe doente,
Os irmãos ficaram lá...
Aqui, sua velha e ele,

Levanta edifícios
Para os bacanas...

Enquanto cava sua cova,
Partir para o crime?
Só quer esquecer...
Fazer parte de algo grande...

O uniforme da organizada,
Pular, xingar a outra torcida...
Frustração

Bola rola e torce a dor,
Esta dor no peito...
Zero a zero

Quem vence no final?

Maria

Olê, mulher rendeira...
Que rendeira nada!
Tu és Maria chuteira...
Que quis como namorada!

Não tenho coxa de jogador...
Dessas que correm à mil,
Não...Não, senhor...
Mas tu me pagas, viu?

Que fazes aqui, Maria?
Vais à todos os jogos...
Qual das chuteiras, lamberias?
Vai, que já começa logo!

Verde e branco dum lado....
Preto e branco do outro,
Não ligas para as glórias do passado...
Só deixas o cabelo solto...

Não és nem da fiel,
Nem és do lado porco...
Esperas que lhe dêem anel...
E uma boa pensão, sem esforço!

Lhe dedico a rima mais pobre...
Nem vi que saiu gol,
Só vi teu rabo, gata esnobe...
Fugir-me, mísero torcedor que sou!

cata lá no gol

(Ferrari, Jô Oliveira e Ricardo Amorim)



Quando eu era pequeno
Eu queria jogar futebol
Marcar muito gol, ouvir rock and roll
E aquelas coisas todas de muleque

Eu queria dibrar o beque
Imitar o Zico
Chutar de trivela, de peito e de bico
Estufar a rede e ir pratorcida

Mas quando começava a partida
Era aquela vaia
Meu sonho de artilheiro morria na praia
E alguém logo dizia o que me restou

Aaaaah! Catalanogol!!!!

OUÇA A VERSÃO COMPLETA AQUI:

timinho

(Ferrari)

o torcedor
queria se lembrar
queria contar
com lágrimas nos olhos
pros filhos
e filhos dos filhos
que aquele jogo
foi melhor que motocicleta
jimmy hendrix
maconha
sexo livre
em woodstock
mas só lembrou
sem nenhuma emoção
da meia
do roberto carlos
e dum timinho
brocha

feijoada da nasa

(Ferrari)

gringo não entende
nunca usou fralda do framengo
futebol não pulsa
feito relógio suíço
futebol samba
de breque
de partido-alto
for-all
se arrumar estraga
vira feijoada da nasa
acarajé light
cheese-salada

guerreiros de verde e branco

(André Dias/z?)

Eles são os mais bravos!
São os Guerreiros de Verde e Branco,
Não existem adversários, só escravos...
no campo, e sofredores no banco!

Eles são os donos da bola...
São os melhores de todos os tempos,
Com sua fantástica técnica, fizeram escola...
As outras torcidas, só resta choro e lamento!

Com a força do verde das matas,
e do branco das constelações...
Rasgam o campo, como afiadas facas,
Deixando o inimigo caido, em contorções!

Ao final da furiosa jogada...
os adversários não passam de tristes caveiras,
Na constatação de que as horas de treino, valeram nada...
Diante da onipotência Alviverde do Palmeiras!

soneto 930 habitual

Glauco Mattoso

















SONETO 930 HABITUAL [2003] por Glauco Mattoso



Chuteiras pendurou certo atacante,
de cuja "despedida" até se orgulha,
devido ao povo que o estádio atulha
e aplaude-lhe o carisma, delirante.

De lá pra cá, porém, tenta, durante
a temporada inteira uma fagulha
de fama faturar, e inda vasculha
se vaga tem nalgum time importante.

Parece que essa gente não sossega,
ainda que no banco tenha grana
e idade pra gastá-la à moda brega!

Carrões, mulheres, drogas, nada sana
a falta duma bola e dum colega
no campo ou noutro jogo, mais sacana...

a deus


Tava tudo em suas mãos.
Nessa hora, elas usavam chuteiras coloridas.
Era ele contra um cara no meio do caminho pra atrapalhar.
(como sempre)
Não que fosse difícil.
Já tinha feito aquilo milhares de vezes.
(com sucesso)
Mas era obrigação, tinha que acertar.
Não podia demorar nem errar.
(era tão fácil, ele ganhava praquilo, ué!)
Era o melhor, o escolhido.
Milhões de olhos críticos.
(e zilhões de pensamentos à velocidade da luz)
Fez o sinal da cruz, correu, chutou.
E arremessou pro céu tudo aquilo que um dia quiseram que ele fosse.
Enquanto o povo esbravejava mil maldições, ele, com as mãos na cabeça, sorria.

gol de letra - da série gols antológicos