Nesta reportagem espetacular, poeta desconhecido relata o trauma de seu contato com o sórdido "Poemanônimo"!!!!!
em branco
pedra fundamental

Em 1928, na Revista de Antropofagia, um poeta até então pouco conhecido publica o poema que ainda hoje é lembrado como o grande divisor de águas da poesia nacional: "No Meio do Caminho", de C. D. de Andrade.
No mês de outubro comemora-se o aniversário de Drummond, e os Poetas do Tietê publicam suas variações sobre o tema "tinha uma pedra no meio do caminho".
NO MEIO DA INFÂNCIA
fernanda migliore
No meio da infância
estava a pedra,
novas matemáticas
outros jogos.
Mestres demais
ou fim da festa?
De repente,
nem dez brigadeiros me bastavam
nenhuma bola me rolava colorida
e os vestidos da menina eram
curtos pra mulher.
De repente - um só jogo:
Pula, pula, pula pedra!
No meio da infância
estava a pedra.
No meio do caminho,
do destino,
rola bola
pula pedra
brinca, brinca de pular.
PEDRAS DE DRUMMOND
marcelo tadeu
No mês de outubro comemora-se o aniversário de Drummond, e os Poetas do Tietê publicam suas variações sobre o tema "tinha uma pedra no meio do caminho".
NO MEIO DA INFÂNCIA
fernanda migliore
No meio da infância
estava a pedra,
novas matemáticas
outros jogos.
Mestres demais
ou fim da festa?
De repente,
nem dez brigadeiros me bastavam
nenhuma bola me rolava colorida
e os vestidos da menina eram
curtos pra mulher.
De repente - um só jogo:
Pula, pula, pula pedra!
No meio da infância
estava a pedra.
No meio do caminho,
do destino,
rola bola
pula pedra
brinca, brinca de pular.
PEDRAS DE DRUMMOND
marcelo tadeu
Ao Ler o Poema
Fiquei Imaginando
Ao viver, encontrei as pedras
Então, as tirei do meu caminho
E fui embora
Doce Ilusão
Aparecerem pedras novas
NO MEIO
caranguejúnior
I
No meio da pedra
tinha um caminho,
e foi por lá
que passei.
II
No meio da sala
tinha uma TV
e uma criança pálida
perdendo seu tempo
III
No meio da rua
pode-se encontrar
pedra, pó, erva...
e várias pessoas
sem esperança.
IV
No meio das ideias
Tinha um maracatu,
Tinha um maracatu
No meio das ideias
Então, não deu
Pra escrever linhas tortas
Nem pra eu
Nem pra tu
Só o
Ma
Ra
Ca
Tu
V
No meio da selva
havia pedras
Na selva de pedra
haviam meios
E o garoto com seu cachimbo
não encontrou o tal bom começo
Se perdeu entre as pedra.
É o fim.
(no
meio
do
começo
tinha
um
fim)
PÉTREA
paulo d'auria
A pedra de Drummond
é a maior pedra da história da literatura,
dura, dura, tão dura de engolir
aos puristas da alta-cultura
Mas não se faz literatura sem pedras,
não se faz arte sem pedras,
principalmente não se faz artistas sem pedras.
Poeta de flores e amores somente
não é poeta por inteiro.
Subo na careca pétrea de Drummond
e avisto ao longe.
Até onde
vai o caminho
sem fim.
MAR
paulo d'auria
paulo d'auria
falta um mar mediterrâneo
no meio da minha vida
falta um mar pacífico
no meio da minha tempestade de espírito
falta um mar atlântico
que me leve ao desconhecido
falta um mar
falta um mar
falta um mar
falta eu aprender
a nadar
no meio da minha vida
falta um mar pacífico
no meio da minha tempestade de espírito
falta um mar atlântico
que me leve ao desconhecido
falta um mar
falta um mar
falta um mar
falta eu aprender
a nadar
NO MEIO DO DENTE
andré dia(s/z)?
andré dia(s/z)?
No meio do dente
tinha um buraco,
Tinha um buraco
no meio do dente,
Tudo culpa da bala toffee
que arrancou a obturação:
Ai! Toffodido! Toffodido!
tinha um buraco,
Tinha um buraco
no meio do dente,
Tudo culpa da bala toffee
que arrancou a obturação:
Ai! Toffodido! Toffodido!
heterônimos do tietê
Ainda inspirados pela visita à exposição sobre Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa, os Poetas do Tietê criaram seus próprios heterônimos:
Maicon da Silva (andré dia(s/z)?) é engraxate, nasceu em 1982 em Capão Redondo. Pegou gosto pela poesia ao encontrar uma antologia de poetas em uma caçamba de construção, juntamente com centenas de livros escolares novinhos em folha, bem próximo a uma escola pública.
Tem o sonho de publicar um livro, mas antes pretende juntar um dinheirinho para poder comprar um terno e gravata, pois percebeu que colegas de profissão que se vestem melhor têm a preferência dos "doutor" na hora da engraxada.
O Pisante do Doutor
Eu engraxo
com gosto,
pois engraxar
é uma arte.
Lambuzo de graxa
o pisante do doutor,
que se acha importante,
me olha todo superior,
mas ele mesmo, coitado,
não sabe dar o brilho
que eu dou
nos sapatos que vão embora
pros lugares onde nunca
poderei entrar.
Eva Ruiz (paulo d'auria) é professora de geografia aposentada da rede pública estadual. Atualmanete ministra oficinas de cordel em bibliotecas municipais. Tem 65 anos, é divorciada, não tem filhos e mora sozinha. Já teve fantasias com suas alunas.
Só, neto
Passam-me as horas do dia
esperando por você,
passam sem nenhuma alegria
molhadas pela chuva fria.
E eu perscrutando os porquês
do amor, do desamor, das idas e vinda (vazias)
da primavera sem bouquets
do cinza no meio da vida
Mas viver não é isso apenas:
enquanto a vida foge,
eu a te escrever poemas?
Ou será mais? se for,
que seja sonho, delírio que me aloje
em tua cama, teus beijos, teu amor!
Seu Joaquim (marcelo tadeu) tem 55 anos e é auxiliar de limpeza.
O faxineiro
Um dia desses
Varrendo a calçada
Parei pra pensar,
Fiquei olhando os carros
As vitrines
As roupa e as pessoas
E observei:
Os meus sonhos para alguns
São tão comuns
Que fiquei assustado
Um pouco tonto e com medo,
Me sentei em uma cadeira
E perguntei ao amigo do lado,
- Será que tudo que passa
pela minha cabeça
é besteira...
José da Silva (caranguejúnior) é guardador de carros - flanelinha -, tem 37 anos e atualmente mora na Rua das Esquinas Quaisquer.
Viagem dos Sonhos
Não peguei o bonde
Que passou em direção à Felicidade
Fiquei aqui
Perdido nesta cidade
Esquecido
Meu trabalho de guardador
Quebra o galho durante o dia
Guardo a dor no coração
Guardá-la eu não queria
Como o pão
Que o diabo amassou
Leio as notícias
Do meu cobertor
Choro sozinho
Rio sozinho
E sozinho vivo
Conversando com a lua
Que me garoa
Esperto fico
Sonho com o dia
Em que o bonde retornará
E eu poderei embarcar
E seguir viagem
Maicon da Silva (andré dia(s/z)?) é engraxate, nasceu em 1982 em Capão Redondo. Pegou gosto pela poesia ao encontrar uma antologia de poetas em uma caçamba de construção, juntamente com centenas de livros escolares novinhos em folha, bem próximo a uma escola pública.
Tem o sonho de publicar um livro, mas antes pretende juntar um dinheirinho para poder comprar um terno e gravata, pois percebeu que colegas de profissão que se vestem melhor têm a preferência dos "doutor" na hora da engraxada.
O Pisante do Doutor
Eu engraxo
com gosto,
pois engraxar
é uma arte.
Lambuzo de graxa
o pisante do doutor,
que se acha importante,
me olha todo superior,
mas ele mesmo, coitado,
não sabe dar o brilho
que eu dou
nos sapatos que vão embora
pros lugares onde nunca
poderei entrar.
Eva Ruiz (paulo d'auria) é professora de geografia aposentada da rede pública estadual. Atualmanete ministra oficinas de cordel em bibliotecas municipais. Tem 65 anos, é divorciada, não tem filhos e mora sozinha. Já teve fantasias com suas alunas.
Só, neto
Passam-me as horas do dia
esperando por você,
passam sem nenhuma alegria
molhadas pela chuva fria.
E eu perscrutando os porquês
do amor, do desamor, das idas e vinda (vazias)
da primavera sem bouquets
do cinza no meio da vida
Mas viver não é isso apenas:
enquanto a vida foge,
eu a te escrever poemas?
Ou será mais? se for,
que seja sonho, delírio que me aloje
em tua cama, teus beijos, teu amor!
Seu Joaquim (marcelo tadeu) tem 55 anos e é auxiliar de limpeza.
O faxineiro
Um dia desses
Varrendo a calçada
Parei pra pensar,
Fiquei olhando os carros
As vitrines
As roupa e as pessoas
E observei:
Os meus sonhos para alguns
São tão comuns
Que fiquei assustado
Um pouco tonto e com medo,
Me sentei em uma cadeira
E perguntei ao amigo do lado,
- Será que tudo que passa
pela minha cabeça
é besteira...
José da Silva (caranguejúnior) é guardador de carros - flanelinha -, tem 37 anos e atualmente mora na Rua das Esquinas Quaisquer.
Viagem dos Sonhos
Não peguei o bonde
Que passou em direção à Felicidade
Fiquei aqui
Perdido nesta cidade
Esquecido
Meu trabalho de guardador
Quebra o galho durante o dia
Guardo a dor no coração
Guardá-la eu não queria
Como o pão
Que o diabo amassou
Leio as notícias
Do meu cobertor
Choro sozinho
Rio sozinho
E sozinho vivo
Conversando com a lua
Que me garoa
Esperto fico
Sonho com o dia
Em que o bonde retornará
E eu poderei embarcar
E seguir viagem
Reflexões sobre entrevista de Donizete Galvão
"(...)Vidas acanhadas atrás de janelas / na cidade que não definha nem prospera. / (...) Nunca saí deste círculo de ferro. / Nunca saí dessa Minas que não termina." Trechos de "Ruminações", poema de Donizete Galvão.
Neste sábado na Papoetaria, discutimos uma entrevista do poeta Donizete Galvão concedida a Andréa Catropa para o programa Ondas Literárias.
A partir dessa discussão, vários temas foram sugeridos para o nosso "Poema do Dia", entre eles, "Vida Besta", "A Poesia Como Antídoto da Morte" e o fato da poesia estar fora do mercado, ou seja, "A Poesia Não É Mercadoria".
Abaixo, nossa produção:
Planejamento (vida besta)
Caranguejúnior
Quatro horas da matina
acordar, tomar banho
trocar de roupa e sair
Quatro ônibus
e um trem...
Trabalhar, sufoco
suor na testa
cimento nos olhos
Quatro pessoas
conversa no almoço
Quatro garfadas
e um arroto
Quatro passos
trabalho, sufoco
Suor na testa
cimento nos olhos
Quatro para às seis
final do espediente
quatro pessoas
na parade de ônibus
Quatro ônibus
e um trem...
Quatro passos
para casa
tomar banho
trocar de roupa
e dormir... zzzz
Poesia Antídoto da Morte
Marcelo Tadeu
Sei que um dia
não estarei mais aqui
O meu corpo, minha alma
estarão em outro lugar
que não sei onde é,
Neste momento não quero discutir
sobre este segredo,
Só quero ressaltar
que minha memória
ficará aqui
para sempre
Poesia Não é Mercadoria
André Dia(s/z)?
Fui no mercado,
entre as embalagens
coloridas
não havia poesia,
Falaram que lá
não vende dessas
coisas não.
Chegando em casa
sentei no vaso
e das entranhas
tirei inspiração,
Escrevi versos
que os outros
chamam de merda,
Não sevem para vender
mas me alimentam
Carros de boi, carros de bestas
Paulo D'Auria
não é porque os automóveis não choram como choravam os carros de boi
não é porque a janela se abre para o muro e não para o coreto
não é porque o metrô itaquera anda mais a passo que a carroça de Odualdo
não é por nada
não é por tudo
que a vida besta deixa de girar como vespa
como mosca varejeira depositando seus bernes
na água parada dos cérebros estacionados
a tv ligada a tv desligada
não se passa nada
não é porque eu lembro que era melhor
não é porque anseio será melhor
não é por nada
não é por tudo
que eu vou esquecer
que a roda do mundo deixará de girar
vomitando estações
onde
não quero saltar
Neste sábado na Papoetaria, discutimos uma entrevista do poeta Donizete Galvão concedida a Andréa Catropa para o programa Ondas Literárias.
A partir dessa discussão, vários temas foram sugeridos para o nosso "Poema do Dia", entre eles, "Vida Besta", "A Poesia Como Antídoto da Morte" e o fato da poesia estar fora do mercado, ou seja, "A Poesia Não É Mercadoria".
Abaixo, nossa produção:
Planejamento (vida besta)
Caranguejúnior
Quatro horas da matina
acordar, tomar banho
trocar de roupa e sair
Quatro ônibus
e um trem...
Trabalhar, sufoco
suor na testa
cimento nos olhos
Quatro pessoas
conversa no almoço
Quatro garfadas
e um arroto
Quatro passos
trabalho, sufoco
Suor na testa
cimento nos olhos
Quatro para às seis
final do espediente
quatro pessoas
na parade de ônibus
Quatro ônibus
e um trem...
Quatro passos
para casa
tomar banho
trocar de roupa
e dormir... zzzz
Poesia Antídoto da Morte
Marcelo Tadeu
Sei que um dia
não estarei mais aqui
O meu corpo, minha alma
estarão em outro lugar
que não sei onde é,
Neste momento não quero discutir
sobre este segredo,
Só quero ressaltar
que minha memória
ficará aqui
para sempre
Poesia Não é Mercadoria
André Dia(s/z)?
Fui no mercado,
entre as embalagens
coloridas
não havia poesia,
Falaram que lá
não vende dessas
coisas não.
Chegando em casa
sentei no vaso
e das entranhas
tirei inspiração,
Escrevi versos
que os outros
chamam de merda,
Não sevem para vender
mas me alimentam
Carros de boi, carros de bestas
Paulo D'Auria
não é porque os automóveis não choram como choravam os carros de boi
não é porque a janela se abre para o muro e não para o coreto
não é porque o metrô itaquera anda mais a passo que a carroça de Odualdo
não é por nada
não é por tudo
que a vida besta deixa de girar como vespa
como mosca varejeira depositando seus bernes
na água parada dos cérebros estacionados
a tv ligada a tv desligada
não se passa nada
não é porque eu lembro que era melhor
não é porque anseio será melhor
não é por nada
não é por tudo
que eu vou esquecer
que a roda do mundo deixará de girar
vomitando estações
onde
não quero saltar
POEMAVERA
Você flor esperta alada despetalada
Ao meu lado me desperta de um
Sonho de verão nessa
Primeira primavera
Com um cheiro
No cangote
Me
Falando
Que
As
Flores
Já
Abriram
Para
Que
Eu
Não
Perca
A
Hora
E
Não
Chegue
Atrasado
Na
Estação
Cidade Jardim
E já é Primavera...
Caranguejúnior
SÉRIE SOBRE A DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ
__________________________________
Utilidade Pública dos Poetas do Tietê:
A Rádio Eldorado FM estreou uma série sobre a despoluição do Rio Tietê em seu Site.
Nesta semana, a Rádio Eldorado celebra vinte anos da campanha da despoluição do Rio Tietê. O projeto, inspirado na experiência inglesa com o Rio Tâmisa, mobilizou milhares de pessoas no inicio da década de 90 com intuito de se criar uma solução para a sujeira que toma o rio que corta o Estado de São Paulo. Após ampla adesão da população e de diversas entidades ligadas à preservação do meio ambiente, o governo do Estado criou em 1992 o “Projeto Tietê”, que agora chega à terceira etapa.
Para ler e ouvir mais sobre o assunto e se antenar neste problema que está embaixo e definitivamente dentro de nossos narizes, é só acessar o site da Radio Eldorado FM.
Caranguejúnior
Utilidade Pública dos Poetas do Tietê:
A Rádio Eldorado FM estreou uma série sobre a despoluição do Rio Tietê em seu Site.
Nesta semana, a Rádio Eldorado celebra vinte anos da campanha da despoluição do Rio Tietê. O projeto, inspirado na experiência inglesa com o Rio Tâmisa, mobilizou milhares de pessoas no inicio da década de 90 com intuito de se criar uma solução para a sujeira que toma o rio que corta o Estado de São Paulo. Após ampla adesão da população e de diversas entidades ligadas à preservação do meio ambiente, o governo do Estado criou em 1992 o “Projeto Tietê”, que agora chega à terceira etapa.
Para ler e ouvir mais sobre o assunto e se antenar neste problema que está embaixo e definitivamente dentro de nossos narizes, é só acessar o site da Radio Eldorado FM.
Caranguejúnior
Haiquasis III
Nesta postagem a participação mais que especial de Wellington Souza, do Benfazeja Comunidade Literária
Well Souza:
I
Grama artificial
não se apega
à natural
II
Casa vermelha
árvore vermelha
moça vermelha
Caranguejúnior:
I
Líbélula no orelhão
pessoas apressadas na calçada
vem e vão
II
Na mesa do bar
mãos no bolso
vento a soprar
II
Roseira na calçada
pára-raios a seu lado
a sorte está lançada
Paulo D'Auria
I
Céu cinza
flores vermelhas
inverno ainda
II
O vento sopra
o homem passa
sem deixar vestígios
André Dia(s/z)?
I
A palmeira balança ao vento
como um charuto trêmulo
na boca de um bêbado
II
A menina corre descalça
saliva em minha boca
inveja da sujeira em sua sola
Well Souza:
I
Grama artificial
não se apega
à natural
II
Casa vermelha
árvore vermelha
moça vermelha
Caranguejúnior:
I
Líbélula no orelhão
pessoas apressadas na calçada
vem e vão
II
Na mesa do bar
mãos no bolso
vento a soprar
II
Roseira na calçada
pára-raios a seu lado
a sorte está lançada
Paulo D'Auria
I
Céu cinza
flores vermelhas
inverno ainda
II
O vento sopra
o homem passa
sem deixar vestígios
André Dia(s/z)?
I
A palmeira balança ao vento
como um charuto trêmulo
na boca de um bêbado
II
A menina corre descalça
saliva em minha boca
inveja da sujeira em sua sola
Haiquasis II
André Dia(s/z)?:
I
leio na placa
que é proibido pisar na grama
então, simplesmente olho
II
minha cara na privada
a urina que cai
deforma meu reflexo
Paulo D'Auria:
I
o sol através
das verdes folhas,
amoras no pé
II
um salto
e o ipê amarelo
no preto asfalto
III
quase ilusão
duas estrelas no espelho do Tietê
uma se move, era avião
I
leio na placa
que é proibido pisar na grama
então, simplesmente olho
II
minha cara na privada
a urina que cai
deforma meu reflexo
Paulo D'Auria:
I
o sol através
das verdes folhas,
amoras no pé
II
um salto
e o ipê amarelo
no preto asfalto
III
quase ilusão
duas estrelas no espelho do Tietê
uma se move, era avião
ah, o amor!

O amor e o desamor por 4 Poetas do Tietê:
Preconceito
Marcelo Tadeu
Para quem não gosta de escrever sobre amor
Eu vos digo
Não tem como fugir
Ele se veste de várias formas
Se apresenta com várias máscaras
E no seu texto
Ele pode estar lá
Como outra palavra
Marcelo Tadeu
Para quem não gosta de escrever sobre amor
Eu vos digo
Não tem como fugir
Ele se veste de várias formas
Se apresenta com várias máscaras
E no seu texto
Ele pode estar lá
Como outra palavra
Meu nome é bonde, perdi o bonde
Paulo D’Auria
passou o bonde
o trem
bala
passou o a
mór
por que não escrevo mais os velhos poemas de amor ou por outra
por que não me apaixono mais
perdia a capa-cidade de amar?
qual o sentido de se doar
em um mundo em que tudo se latro-sina?
e pra não dizer que não falei das flores
do bouquet de 1.000 rosas roubadas
poderia relembrar a primeira namorada mas
perdi o bonde
o trem
bala
perdido (n)a estação
qual poeta de folhetim
e assim sem nem começar
o poema de amor chega
ao fim
o poema de amor chega
ao fim
O amor
André Dia(s/z)?
O horror
de me prender
nessa cruz,
O amor.
Não! Não mais!
Tirem os pregos
dessas chagas!
Não mais sangue!
Não mais pus!
Não mais lágrimas!
Só o esperma,
o gozo da masturbação!
Santa Punheta
Do Amor-Próprio!
Não era amor, era...
Caranguejunior
Pensei que era
Meu amô
Senti que era
Seu amô
Quando me tocava
E me olhava
Em minha barriga acontecia
Uma revoada de borboletas
Pensei que era amô
Senti que já era!
Quando o médico diagnosticou:
Não era amô querida
Era lombriga...
O amor é foda
Caranguejunior
O amor sou eu
O amor é você
E eu
O amor somos nós
O amor é você perto
Eu longe
E nós juntos na cama
O amor é definitivamente foda
É foda!
poesia social
"Por que existem favelas? / Por que há ricos e pobres? / Por que uns moram na lama / e outros vivem como nobres? / Só te pergunto essas coisas / pra ver se você descobre"
Trecho de "Quem matou Aparecida" de Ferreira Gullar
A poesia social de 2 Poetas do Tietê
Zé
Paulo D’Auria
é possível tirar alegria do homem que dorme na rua
é possível tirar poesia?
a comida acabou
a noite esfriou
a festa nunca começa
é possível cobertor tão grande para toda gente
é possível cobrir os pés da poesia
sem descobrir a cabeça?
e agora
a garrafa acabou
uma última gota
no meio do labirinto escuro
até as orelhas me cubro
escorro no salão de espelhos escusos
a festa nunca começa
a comida esfriou
a garrafa virou
zé
a poesia acabou
Quase chão
André Dia(s/z)?
Lá está
ele,
caído no meio-fio,
quase concreto,
quase chão.
Preta é sua cor
de sujeira
por cima
da cor negra
de luta.
Vida dura,
de miséria
de pele escura,
diferente
da vida bem nascida
que anda
de cabeça erguida
passando por cima
dele,
quase chão.
Trecho de "Quem matou Aparecida" de Ferreira Gullar
A poesia social de 2 Poetas do Tietê
Zé
Paulo D’Auria
é possível tirar alegria do homem que dorme na rua
é possível tirar poesia?
a comida acabou
a noite esfriou
a festa nunca começa
é possível cobertor tão grande para toda gente
é possível cobrir os pés da poesia
sem descobrir a cabeça?
e agora
a garrafa acabou
uma última gota
no meio do labirinto escuro
até as orelhas me cubro
escorro no salão de espelhos escusos
a festa nunca começa
a comida esfriou
a garrafa virou
zé
a poesia acabou
Quase chão
André Dia(s/z)?
Lá está
ele,
caído no meio-fio,
quase concreto,
quase chão.
Preta é sua cor
de sujeira
por cima
da cor negra
de luta.
Vida dura,
de miséria
de pele escura,
diferente
da vida bem nascida
que anda
de cabeça erguida
passando por cima
dele,
quase chão.
O SERTÃO VAI VIRAR SÃO PAULO E SÃO PAULO VAI VIRAR SERTÃO
)))))))))))))) ((((((((((((((
Dias SECOS))) SECOS))) SECOS))))))
Ar SECO))) SECO))) SECO)))))
Povo SECO))) SECO))) SECO)))
Olhar SECO))) SECO))) SECO)))))
Lábios SECOS))) SECOS))) SECOS)))
Boca SECA SECA SECA
Garganta SECA SECA SECA
E eu reverberando)))) poesias de concreto...
)))))))))))))) ((((((((((((
Caranguejúnior
Dias SECOS))) SECOS))) SECOS))))))
Ar SECO))) SECO))) SECO)))))
Povo SECO))) SECO))) SECO)))
Olhar SECO))) SECO))) SECO)))))
Lábios SECOS))) SECOS))) SECOS)))
Boca SECA SECA SECA
Garganta SECA SECA SECA
E eu reverberando)))) poesias de concreto...
)))))))))))))) ((((((((((((
Caranguejúnior
coisas que não existem
“ A poesia é uma espécie de aventura para capturar coisas que não existem” Ferreira Gullar
Essa estranha aventura traduzida por 3 Poetas do Tietê:
Visão poética
Marcelo Tadeu
Eu vejo nos olhos
eu vejo nas águas
e vejo no ar.
Não tenho poderes
apenas sou poeta,
não enxergo com olhos,
e tudo o que vejo
escrevo.
O barulho
André Dias(s/z)?
O barulho
que passa,
pego no ar,
barulho das máquinas
dos homens,
barulho-homens-máquinas
me impedem de pensar,
quero rir
quero chorar
quero ir embora
quero almoçar.
Meu corpo se desfaz
em fumaça
misturada
com o barulho no ar,
nada para dizer,
muito para poetar.
Rede de caçar borboletas
Paulo D'Auria
no ar passarinho vento
sinal do celular da televisão via satélite
no ar 15 folhas de outono cheiro de esgoto
azul
e os pensamentos todos do mundo misturados
e o poeta pescando
poeta antena parabólica
poeta com sua rede de caçar
borboletas e furacões
no ar o menino e a pipa
a pipa leva o menino
pela linha que a prende
ao chão
às mãos
do menino que fica
e vai
cataventos birutas barômetros
metereologistas astrônomos astrólogos
o poeta são todos
e não é
nenhum
Visão poética
Marcelo Tadeu
Eu vejo nos olhos
eu vejo nas águas
e vejo no ar.
Não tenho poderes
apenas sou poeta,
não enxergo com olhos,
e tudo o que vejo
escrevo.
O barulho
André Dias(s/z)?
O barulho
que passa,
pego no ar,
barulho das máquinas
dos homens,
barulho-homens-máquinas
me impedem de pensar,
quero rir
quero chorar
quero ir embora
quero almoçar.
Meu corpo se desfaz
em fumaça
misturada
com o barulho no ar,
nada para dizer,
muito para poetar.
Rede de caçar borboletas
Paulo D'Auria
no ar passarinho vento
sinal do celular da televisão via satélite
no ar 15 folhas de outono cheiro de esgoto
azul
e os pensamentos todos do mundo misturados
e o poeta pescando
poeta antena parabólica
poeta com sua rede de caçar
borboletas e furacões
no ar o menino e a pipa
a pipa leva o menino
pela linha que a prende
ao chão
às mãos
do menino que fica
e vai
cataventos birutas barômetros
metereologistas astrônomos astrólogos
o poeta são todos
e não é
nenhum
o poeta e o mundo
"O mar batia em meu peito / já não batia no cais. / A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu / a cidade sou eu" Trecho de "Coração numeroso" de C. D. de Andrade.

Poetas nem sempre se relacionam bem com a realidade concreta. Abaixo, dois Poetas do Tietê falam de sua relação com o mundo.
Dias de argila
André Dia(s/z)?
Ando
a esmo,
esperando
minha
hora,
poetando
inconsistência
de viver
dias feitos
de argila,
que quando
tijolos
caem sobre
os sonhos
que não
cessam de
existir,
pois não são
materiais.
É isso,
felicidade
não existe,
não pode ser
tocada,
medida,
catalogada,
só sonhada
eternamente,
então,
o poeta é feliz,
só que chora
por viver
num mundo
que não é seu.
Cerejas fora de época
Paulo D'Auria
o mundo é apenas um lugar
onde erro meus passos
de pé de chinelo qualquer
em quem o tempo testa seus dissabores
as certezas são cerejas fora de época
as verdades são vaidades amadurecidas demais
sinto o vento da primavera mesmo no auge
do inverno
a neve é um cobertor
que derrete
se faço versos
estou do avesso
quando me fecho
fico prosa
não olhe agora
estou nu
não acho a rima certa
para vida

Imagem: o mundo nos óculos de Drummond,
fotomontagem de Paulo D'Auria
fotomontagem de Paulo D'Auria
Poetas nem sempre se relacionam bem com a realidade concreta. Abaixo, dois Poetas do Tietê falam de sua relação com o mundo.
Dias de argila
André Dia(s/z)?
Ando
a esmo,
esperando
minha
hora,
poetando
inconsistência
de viver
dias feitos
de argila,
que quando
tijolos
caem sobre
os sonhos
que não
cessam de
existir,
pois não são
materiais.
É isso,
felicidade
não existe,
não pode ser
tocada,
medida,
catalogada,
só sonhada
eternamente,
então,
o poeta é feliz,
só que chora
por viver
num mundo
que não é seu.
Cerejas fora de época
Paulo D'Auria
o mundo é apenas um lugar
onde erro meus passos
de pé de chinelo qualquer
em quem o tempo testa seus dissabores
as certezas são cerejas fora de época
as verdades são vaidades amadurecidas demais
sinto o vento da primavera mesmo no auge
do inverno
a neve é um cobertor
que derrete
se faço versos
estou do avesso
quando me fecho
fico prosa
não olhe agora
estou nu
não acho a rima certa
para vida
a língua que nóis fala
Nossa língua escrita e falada, traduzida por dois Poetas do Tietê

Língua Solta
por Caranguejúnior
por Caranguejúnior
O que eu falo
O que tu fala
O que nóis fala, mano!
Oxe!!
O que tu fala
O que nóis fala, mano!
Oxe!!
É bossa
É cumbia
É rock
É samba
É cumbia
É rock
É samba
Língua nossa
Sem frescura
Do povão
Da cultura
Sem frescura
Do povão
Da cultura
Ai dôul nôul! Explique isso!
Aimi nóti dógui nôul!
Aimi nóti dógui nôul!
Soul Tupi
Soul Brazuca
Dou daqui
De Língua Solta
Soul Brazuca
Dou daqui
De Língua Solta
O que eu falo é bossa
Da língua nossa
Da língua nossa
Saravá!
Cólica Verbal
por Paulo D'Auria
por Paulo D'Auria
penso brasileiro e escrevo português
minha identidade tem uma foto de passaporte
e outra de viagem
uma rima rica e outra pobre
uma prima bonita e outra má-o-meno
uma rima branca para um poema negro
minha identidade tem uma foto de passaporte
e outra de viagem
uma rima rica e outra pobre
uma prima bonita e outra má-o-meno
uma rima branca para um poema negro
banzo e saudade no cariri
branco e escravo no estômago tupi
branco e escravo no estômago tupi
eu te amo
eu lhe amo
amo você
e amo ela ela ela
eu lhe amo
amo você
e amo ela ela ela
guarda-chuva umbrela
pára-raios de antena parabólica
estrambólica
eólica
cólica verbal
pára-raios de antena parabólica
estrambólica
eólica
cólica verbal
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