em branco

'' A ALMA DO NEGÓCIO''


por trás de uma feira lotada
e de uma barraca de pastel
a sempre um grande ser
vendendo caldo de cana próximo...
o oportunismo
é a alma do negócio
o negócio é
ser alma
sem alma

Jr magal

pastel de que jô

(Ferrari)

jô, me diga:
de que carne
é feita a carne
do pastel
de vento?

jô, me intriga:
por que maçã
flauta de pã
cascavel
do pensamento?

jô, mastiga!
se nada sabe
apenas lhe cabe
o papel
de isento

big pastel na paulista

pastel de pérolas (djavan2)

De Pastel de Pérolas

a menor feira do mundo


Era uma vez o poeta menino (ah, so far, far away).

Na vila onde o menino morava, as famílias só tinham duas opções para suas compras:
1) A venda do Guerino (onde, independente de nossas mães fazerem contas - as famosas “cadernetas”, nós, os meninos, roubávamos paçoquinhas)
2) A feira da Rua Arcádia, uma feira como outra qualquer, com verduras, frutas, doces, roupas, peixes etc. (Acreditem: naquele tempo ainda não havia pastel nas feiras. Para se comer um pastel, ia-se à pastelaria. A mais perto da minha vila ficava na Lapa.)

Pois qual não foi a surpresa do velho poeta ao passar pelas ruas de sua infância e descobrir que esta feira como outra qualquer tinha entrado para o Lilipute Book of the Record’s!

Explico: com o passar dos anos, nas proximidades desta vila à beira da Marginal Tietê, vários hipermercados se instalaram, e as donas de casa trocaram o velho hábito de pechinchar na feira pelos preços sem concorrência das grandes redes.

E assim esta feira se transformou na Menor Feira do Mundo. Um caminhão apenas, uma barraca. E, creio, os mesmos velhos e habituais clientes de anos atrás.

Gente simples, que ainda acredita em mocinho e bandido, que prefere gastar seus reais nesta barraca a dar dinheiro para as grandes corporações, gente que se recusa a acreditar que o tempo passou. - Não. O que estou dizendo? Gente assim não existe mais! Este é o menino dentro do poeta!

Esta gente que vem à feira é gente muito mais inverossímil que este menino que ainda acredita que vai mudar o mundo, é gente que vem à feira apenas para comprar legumes...

...e nem liga para o fato de esta continuar sendo até hoje a única feira de São Paulo onde não há pastel de feira!

volúpia

Três, pra ser exata. Todos meus.
Comer na barraca não fica bem.
Dois favoritos e um pra experimentar.
Maravilha!
Saco de papel, saco plástico
alguns guardanapos.
Com sorte rascunhos; sem sorte - lixo.

Um intruso no saco - sabor desconhecido.
Corro pra casa. No caminho, o encontro:
Família, novidades, doenças.
Sol a pino, cabeça cozida.
Saco fechado, pastéis abafados.
Livre enfim.

Aperto o passo, abro a porta, abro o saco.
Murchos, frios, molhados, cozidos.
Cheiro misturado, recheio grudado.
Já não eram pastéis, nem tortas
nem crocantes.
Quatro pra um, quatro e nenhum
que insensatez - melhor um por vez.

piscina aquecida

Sempre quis saber

como reconhecer

o pastel que mergulha

misturado com outros

lá no meio da gordura.

Então tomei coragem:

perguntei ao japonês

como fritar os pedidos

todos de uma vez.

Repare bem

preste atenção:

No cantinho há desenhos

funcionais e divertidos

marcando as diferenças

dos sabores preferidos.

Mas é só pra quem tem olhos

pra quem presta atenção.

Especiais são todos

diferentes, é claro

mas feitos conforme

o gosto de cada um.

maluf japonês


Maçã

(Cidadão das nuvens)


Maçã fez Newton descobrir gravidade.
Maçã fez Eva descobrir gravidez.
Branca-de-neve só comeu a metade.
De tão guloso eu comeria as três.

Sábado-feira

(Renato Silva)


ALFACEBOLARANJACAJU:
Feirantes falidos
se esgotam em óperas.

pastel de pérolas (pitty)

De Pastel de Pérolas

pastel de(s)ilusão

(André Dias/z?)

Pastel cheio de vento...
Sem recheio, sem nada!
Pastel de(s)ilusão...
Não mata a fome...

Mata de tristeza,
Descepção...
Cabeça pendendo
Na mesa do bar...
Muito óleo...
Enxaqueca...

Risadas à volta,
Alegria de viver...
Despreocupação...
Meio pastel no prato...

Só queria me alegrar tambem,
mas acabou em...
Dor de cabeça!

No fim... Ainda tem que pagar!

a procura do pastel perfeito

(Ferrari)

marcelo É2
em um
a procura
do pastel perfeito
deus e diabo
corredo
atrás do rabo
marcelo É2
lados
da mesma ilha
arma e armadilha
marcelo É2
por cento
comendo
pastel de vento

feira dominical

(Jr.Magal)



dia de folga
acordo cedo
dor de cabeça
a manhã fria
vazia
de um domingo nublado
o asfalto molhado
e meus passos
apressados
garoa na cara
nariz escorrendo
e vou correndo
descer a ladeira
atrás da recompensa
que espera lá na feira
comprar banana
um pastel de queijo
oleoso
e um caldo de cana caiana
para curar
a ressaca da noite passada...

não abandone o pastel

nesseCidade

Desemprego.
Lanche na rua sai barato - pensei.
Sem rumo, exausta pela dúvida.
Dinheiro no fim
Futuro incerto.
Na barraca de pastel,
mordo o camarão comprado a preço de banana.
Ao meu lado, mulher rude, cara dura.
O filho, franzino, devorando a única refeição do dia.
Algumas moedas ganhas no grito silencioso da dor.
Meu pastel não desce mais. Dor no peito.
Eu, que nem moedas ganharia ao longo do dia.
Ela mãe, eu nem isso.
Sigo sem norte.
Ela forte - eu, nem isso.

cinza

(Daniel Minchoni)

o pastel cinza é da cidade cinza símbolo
cinza são suas cinzas ruas cinzas
cinzas são seu moleques
cinza seu arco-íris
cinzas suas putas não,
nem seus travecos
cinzas seus bichinhos de estimação
seus times só pretos e brancos
cinzas são suas artérias
cinzas entupidas de carros cinzas
e de veneno cinza
e de cinzas senhoras
cinzas são seus tamancos
cinza são suas sardas cinzas
cinzas são os seus bancos
cinzas são os seus homens do tempo
sempre cinzas sempre tempo cinza
cinzas suas noites
cinzas são suas fumaças
cinzas das latas cinzas

de seus
excluídos
cinzas

cinzas são suas pausas
cinzas são suas praças
cinzas seu bosques
cinzas seu cantos
cinza todas as cores
cinza são suas paredes
cinza é sua farda cinza
cinza é sua farsa cinza
cinza é sua laia cinza
cinzas são seus perfeitos
cinzas são seu valores
cinsas são seus defeitos
cinza tua rima branca
os seus leitos cinzas de morte
cinza será o meu norte