Nos dias 18 e 19 de Dezembro do ano 2010, foram os dias em que participei de uma experiência pra lá de emocionante e libertadora, os dias que foram realizados a 1° Caravana da Poesia, onde poetas de São Paulo foram ao Rio de Janeiro para 4 Sarais na periferia.A “viagem” começou mesmo na sexta-feira dia 17, onde me encontrei com o Poeta Marcelo Tadeu integrante do grupo Poetas do Tietê, em um bar no Anhangabaú, para umas cervejas e conversas antes de embarcarmos no buzão, e de onde iríamos direto para o Bixiga, mais precisamente n° 70 da rua 13 de maio, onde é o local da livraria do Buzo (Suburbano Convicto). Chegando ao local não havia ninguém na livraria, o porteiro pediu que entrássemos, pois, já haviam poetas lá em cima aguardando, subimos as escadarias e a livraria estava fechada e retornamos pelos degraus, para nossa surpresa havia uma poetiza do sarau da Cidade Ademar, uma das Camilas (Milane), sozinha, fumando um cigarro, ela nos chamou e nos informou que estava trancada lá, quando fomos até o portão, verificamos que o porteiro tinha nos deixado trancados no recinto também, entre gritos e assobios, ninguém estava lá para abrir o portão. Depois de várias ligações e quase 40 minutos trancados, vieram nos acudir, abriram o portão e foi uma sensação boa de liberdade. Subimos a 13 de Maio para encontrarmos o Pezão, achamos logo o poeta junto com o poeta Valmir Jordão e Tubarão, decidimos então, descer a 13 de Maio para tomarmos algumas geladas e papearmos, entre sobe 13 e desce 13, encostamos em um bar conhecido dos Poetas Valmir e Pezão. Entre cervejas e cervejas, os poetas que iriam participar da caravana, foram chegando, Sarau do Binho, Elo da Corrente, poesia na brasa, Sarau da Cidade Ademar, Suburbano convicto, Círculo palmarino e Vila Fundão, fora os Poetas do Tietê. O ônibus estacionou quase a uma da madrugada, e já estávamos quase todos embriagados de tanta cerveja que rolou, embarcamos e o ônibus partiu em direção a cidade maravilhosa.
Dentro do “buzão”, a alegria estava tomando conta, muitos poetas estavam indo ao Rio de Janeiro pela primeira vez e ainda por cima, para recitar poesias. Entre batuques de pandeiros e versos de samba, rap e (“ninguém vai nanar”) a viagem foi embalada pela madrugada adentro. Chegamos ao RJ e pegamos logo um engarrafamento monstro na Rodovia Presidente Dutra, conseguimos chegar ao SESC Ramos, onde fomos recepcionados, por volta das dez da manhã, a viagem foi longuíssima e cansativa, mas, todos estavam animados para a aventura poética na cidade. Tomamos café da manhã no SESC Ramos, almoçamos e relaxamos um pouco antes da partida para o primeiro sarau - Complexo do Alemão.
O ônibus partiu para o Complexo do Alemão, precisamente na Grota, uma das comunidades do local, o Buzo gravou a nossa chegada para o programa Manos e Minas da TV Cultura, desembarcamos na comunidade e logo de cara vimos as cenas que até então, só tínhamos visto pela TV, soldados armados de fuzis e metralhadoras, tropa de elite, caminhões de guerra, circulando pelas vias, o momento foi de tensão, mas, sabíamos que nada iria abalar a nossa vibe positiva. Seguimos até o local onde rolou o sarau, era um evento da comunidade chamado Circulando, sétimo ano que rola esse evento por lá. Os poetas foram anunciados pelos microfones e logo estávamos todos unidos, poetas-comunidade, na mesma sintonia. O Sarau começou com os tambores do Sarau da Brasa chamando os poetas, vários poetas se apresentaram, nesse meio tempo, os Poetas do Tietê foram até uma parte da comunidade gravar os vídeopoemas para exibição no blog, enquanto o sarau pegava fogo na outra parte do evento. Tudo correu bem, sem problemas algum, a receptividade da comunidade foi na paz, saímos do complexo do alemão por volta das cinco e tantas da tarde em direção a comunidade Fallet em Sta. Teresa.
Dentro do buzão indo em direção a Sta. Teresa, víamos da janela a beleza e a pobreza da cidade, uns pontos lindos, outros nada agradáveis do RJ, chegamos em Sta. Teresa por volta das seis e meia da noite, desembarcamos em um ponto onde tinham vários casarões antigos, ruas de paralelepípedos, bairro bem arborizado e bonito, logo pensamos que iríamos recitar naquele lugar amistoso, puro engano. Começamos a caminhar pelo bairro, subindo e descendo ladeiras, entrando por vielas e escadarias, logo a face da comunidade foi revelando-se para os poetas. Homens armados com pistolas e fuzis nos fitando, o tráfico imperando nas ruas, a pobreza de alguns a riqueza de outros e a tensão tomou conta de todos que ali estavam, sem exceção. Fomos chegando próximo ao local onde estava acontecendo um evento organizado pela comunidade, a cena foi de susto, bandidos armados faziam a segurança próximo ao local, uma fotografa que nos acompanhava, retirou a câmera da bolsa e logo foi repreendida por um dos traficantes, dizendo que não podia filmar nem fotografar e isso a base de gritos, a moça ficou em pânico e começou a chorar, o escritor Julio Ludemir que estava nos acompanhando e conhece a comunidade, foi conversar com o traficante para amenizar a situação. Subimos para o local do sarau que correu bem, apesar da tensão que rondava por ali, ao final do sarau, fomos convidados a comer um enorme bolo (e por sinal uma delícia!) que a comunidade havia preparado para o evento. Logo chegou a hora de parti já eram quase dez da noite, teríamos que subir ladeiras e escadarias novamente, poucos estavam dispostos, um dos traficantes que estava mais enturmado com os poetas, fez questão de ir buscar o ônibus para que não fizéssemos aquela romaria toda da subida, mais, não teve jeito, o ônibus não entrava naquelas vielas apertadas da comunidade, subimos a base da “canela” e chegamos ao buzão, suados, cansados e felizes por tudo ter corrido bem. Partimos então, para o terceiro sarau do dia no Morro Agudo em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.
Embarcamos e o ônibus partiu para Nova Iguaçu no Enraizados, uns cansados, outros ainda com as baterias carregadas, porém, ninguém desanimado, ainda estávamos no clima de adrenalina ocorrido no último sarau na comunidade Fallet. Chegamos ao local, centro de cultura do Enraizados por volta das meia noite e meia, e no local já estava rolando um evento com música e foi só os poetas chegarem que a animação tomou conta de todos, assistimos as apresentações de free style do MCs do projeto Enraizados, muito bom por sinal, tinha um menino de onze anos que mandou muito bem no free style. Após a apresentação dos MC’s, começou o nosso sarau com a abertura do sarau da brasa com os tambores chamando os poetas para recitarem, tudo na maior paz e alegria, todos os poetas visivelmente cansados fizeram um recital muito louco, mandaram bem em todos os poemas, encerramos com os tambores da brasa a noite de poesia, mais ainda rolou uma batalha de MC’s na brincadeira com os poetas e os meninos do projeto Enraizados, a noite só estava esquentando, um churrasco e muita cerveja ainda estava para sair, enfim, lembro que fui dormir por volta das cinco da matina, embriagado e com a garganta ruim de cantar e as mãos doendo de tocar atabaque.
Despertamos logo cedo numa manhã de domingo quente a beça, para nos organizar para ir à praia, de inicio a dúvida de qual praia ir, mais, a maioria venceu, iríamos a Ipanema, o buzão encostou por volta das onze da manhã, embarcamos de mala e cuia, pois, era nosso último dia no RJ, fomos a Ipanema, chegando no local de desembarque, logo todo mundo se espalhou, os Poetas do Tietê foram até Copacabana onde gravou-se um Videopoema na estátua do Drummond, que fica à beira da praia, e curtimos o Arpoador e Ipanema também. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, ainda teríamos o último compromisso no morro do Borel, último sarau da Caravana da poesia, embarcamos no buzão por volta das seis da tarde e partimos para o Borel.
Chegamos na comunidade por volta das sete da noite, desembarcamos em frente a um SESC, e pegamos umas kombis que é o transporte tradicional de quem sobe o morro, pois, o ônibus que estávamos não entrava nas ruas estreitas da comunidade, tampouco, subiria aquele morro imenso, a vista lá de cima era maravilhosa, dava para ver o RJ inteiro, muito lindo mesmo, o lugar não poderia se chamar outro – Chácara do Céu- onde desembarcamos na casa do Sr. Gabeira, líder comunitário, haviam duas placas que anunciavam “Rajadas Poéticas: Os Poetas estão chegando” no terraço da casa, sua esposa e família nos recepcionaram com uma galinhada (uma delícia!) para matar a fome dos famintos poetas, comemos bastante e depois ainda rolou uma sobremesa para fechar o banquete, subimos a laje da casa do Sr. Gabeira para admirar aquela paisagem deslumbrante do RJ é a melhor digestão que existe, comer e olhar a paisagem. Hora do último sarau, fomos para o local, uma antiga igreja, próximo a uma UPP (unidade de polícia pacificadora) da comunidade, fomos nos organizando e chamando a criançada toda para participar, alguns minutos depois, a comunidade já estava nos aguardando começar o sarau. Foi demais, a comunidade aplaudia cada um dos poetas que se apresentaram como se fosse o primeiro sarau da caravana, um dos melhores que fizemos nos dois dias de caravana, e para encerrar o sarau, fizemos uma ciranda com todos os presentes, as crianças adoraram. Nos despedimos de todos por volta das onze da noite, felizes, com a sensação do dever muito bem cumprido. Embarcamos nas Kombis e fomos em direção ao ônibus, embarcamos no “buzão” e hibernamos, não se ouvia um ruído de vozes, pandeiros ou outra coisa qualquer, só os roncos e respirações dos poetas fadigados. Por volta das três da madrugada, acordamos com o ônibus balançando e um barulho, o pneu do buzão havia estourado, um detalhe que não poderia faltar na aventura, toda caravana tem o seu perrengue, o motoristas e alguns dispostos desceram para trocar o pneu, depois de uns quarenta minutos, estávamos de volta a estrada. Chegamos em SP por volta das sete e meia da manhã da segunda feira, dia 20, cansados e felizes, com um gostinho de quero mais, fechando o ano com chave de ouro... olhei para trás e vi os poetas com suas malas voltando para suas casas e vidas reais.
Caranguejúnior
em branco
OS POETAS DO TIETÊ - I CARAVANA DA POESIA
Os poetas do Tietê embarcam no buzão da I Caravana da Poesia que vai para o Rio de Janeiro em 2 dias e onde participarão de 4 sarais na cidade.
Organizado pela Poiesis junto com o escritor, apresentador e cineasta Alessandro Buzo, a I caravana da poesia vai contar com um buzão com 40 e tantos poetas de diversos sarais de São Paulo como: Brasa, Fundão, Elo da Corrente, Ademar, Suburbano e Binho, e os Poetas do Tietê foram convidados por Marco Pezão, Coordenador da Poiesis para participarem dessa jornada poética de 2 dias na Cidade Maravilhosa, abaixo os locais por onde a I Caravana da Poesia irá passar:
Sábado 18/12
14h - Complexo do Alemão
19h - Comunidade Fallet (Sta. Teresa)
22h - ENRAIZADOS (Nova Iguaçu, Baixada)
Domingo 19/12
Manhã e tarde (PRAIA)
18h - Ultimo Sarau no "Salgueiro"
Fonte dos locais: http://buzo10.blogspot.com/
Na volta postamos as fotos aqui.
Organizado pela Poiesis junto com o escritor, apresentador e cineasta Alessandro Buzo, a I caravana da poesia vai contar com um buzão com 40 e tantos poetas de diversos sarais de São Paulo como: Brasa, Fundão, Elo da Corrente, Ademar, Suburbano e Binho, e os Poetas do Tietê foram convidados por Marco Pezão, Coordenador da Poiesis para participarem dessa jornada poética de 2 dias na Cidade Maravilhosa, abaixo os locais por onde a I Caravana da Poesia irá passar:
Sábado 18/12
14h - Complexo do Alemão
19h - Comunidade Fallet (Sta. Teresa)
22h - ENRAIZADOS (Nova Iguaçu, Baixada)
Domingo 19/12
Manhã e tarde (PRAIA)
18h - Ultimo Sarau no "Salgueiro"
Fonte dos locais: http://buzo10.blogspot.com/
Na volta postamos as fotos aqui.
Poemanônimo
Nesta reportagem espetacular, poeta desconhecido relata o trauma de seu contato com o sórdido "Poemanônimo"!!!!!
pedra fundamental

Em 1928, na Revista de Antropofagia, um poeta até então pouco conhecido publica o poema que ainda hoje é lembrado como o grande divisor de águas da poesia nacional: "No Meio do Caminho", de C. D. de Andrade.
No mês de outubro comemora-se o aniversário de Drummond, e os Poetas do Tietê publicam suas variações sobre o tema "tinha uma pedra no meio do caminho".
NO MEIO DA INFÂNCIA
fernanda migliore
No meio da infância
estava a pedra,
novas matemáticas
outros jogos.
Mestres demais
ou fim da festa?
De repente,
nem dez brigadeiros me bastavam
nenhuma bola me rolava colorida
e os vestidos da menina eram
curtos pra mulher.
De repente - um só jogo:
Pula, pula, pula pedra!
No meio da infância
estava a pedra.
No meio do caminho,
do destino,
rola bola
pula pedra
brinca, brinca de pular.
PEDRAS DE DRUMMOND
marcelo tadeu
No mês de outubro comemora-se o aniversário de Drummond, e os Poetas do Tietê publicam suas variações sobre o tema "tinha uma pedra no meio do caminho".
NO MEIO DA INFÂNCIA
fernanda migliore
No meio da infância
estava a pedra,
novas matemáticas
outros jogos.
Mestres demais
ou fim da festa?
De repente,
nem dez brigadeiros me bastavam
nenhuma bola me rolava colorida
e os vestidos da menina eram
curtos pra mulher.
De repente - um só jogo:
Pula, pula, pula pedra!
No meio da infância
estava a pedra.
No meio do caminho,
do destino,
rola bola
pula pedra
brinca, brinca de pular.
PEDRAS DE DRUMMOND
marcelo tadeu
Ao Ler o Poema
Fiquei Imaginando
Ao viver, encontrei as pedras
Então, as tirei do meu caminho
E fui embora
Doce Ilusão
Aparecerem pedras novas
NO MEIO
caranguejúnior
I
No meio da pedra
tinha um caminho,
e foi por lá
que passei.
II
No meio da sala
tinha uma TV
e uma criança pálida
perdendo seu tempo
III
No meio da rua
pode-se encontrar
pedra, pó, erva...
e várias pessoas
sem esperança.
IV
No meio das ideias
Tinha um maracatu,
Tinha um maracatu
No meio das ideias
Então, não deu
Pra escrever linhas tortas
Nem pra eu
Nem pra tu
Só o
Ma
Ra
Ca
Tu
V
No meio da selva
havia pedras
Na selva de pedra
haviam meios
E o garoto com seu cachimbo
não encontrou o tal bom começo
Se perdeu entre as pedra.
É o fim.
(no
meio
do
começo
tinha
um
fim)
PÉTREA
paulo d'auria
A pedra de Drummond
é a maior pedra da história da literatura,
dura, dura, tão dura de engolir
aos puristas da alta-cultura
Mas não se faz literatura sem pedras,
não se faz arte sem pedras,
principalmente não se faz artistas sem pedras.
Poeta de flores e amores somente
não é poeta por inteiro.
Subo na careca pétrea de Drummond
e avisto ao longe.
Até onde
vai o caminho
sem fim.
MAR
paulo d'auria
paulo d'auria
falta um mar mediterrâneo
no meio da minha vida
falta um mar pacífico
no meio da minha tempestade de espírito
falta um mar atlântico
que me leve ao desconhecido
falta um mar
falta um mar
falta um mar
falta eu aprender
a nadar
no meio da minha vida
falta um mar pacífico
no meio da minha tempestade de espírito
falta um mar atlântico
que me leve ao desconhecido
falta um mar
falta um mar
falta um mar
falta eu aprender
a nadar
NO MEIO DO DENTE
andré dia(s/z)?
andré dia(s/z)?
No meio do dente
tinha um buraco,
Tinha um buraco
no meio do dente,
Tudo culpa da bala toffee
que arrancou a obturação:
Ai! Toffodido! Toffodido!
tinha um buraco,
Tinha um buraco
no meio do dente,
Tudo culpa da bala toffee
que arrancou a obturação:
Ai! Toffodido! Toffodido!
heterônimos do tietê
Ainda inspirados pela visita à exposição sobre Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa, os Poetas do Tietê criaram seus próprios heterônimos:
Maicon da Silva (andré dia(s/z)?) é engraxate, nasceu em 1982 em Capão Redondo. Pegou gosto pela poesia ao encontrar uma antologia de poetas em uma caçamba de construção, juntamente com centenas de livros escolares novinhos em folha, bem próximo a uma escola pública.
Tem o sonho de publicar um livro, mas antes pretende juntar um dinheirinho para poder comprar um terno e gravata, pois percebeu que colegas de profissão que se vestem melhor têm a preferência dos "doutor" na hora da engraxada.
O Pisante do Doutor
Eu engraxo
com gosto,
pois engraxar
é uma arte.
Lambuzo de graxa
o pisante do doutor,
que se acha importante,
me olha todo superior,
mas ele mesmo, coitado,
não sabe dar o brilho
que eu dou
nos sapatos que vão embora
pros lugares onde nunca
poderei entrar.
Eva Ruiz (paulo d'auria) é professora de geografia aposentada da rede pública estadual. Atualmanete ministra oficinas de cordel em bibliotecas municipais. Tem 65 anos, é divorciada, não tem filhos e mora sozinha. Já teve fantasias com suas alunas.
Só, neto
Passam-me as horas do dia
esperando por você,
passam sem nenhuma alegria
molhadas pela chuva fria.
E eu perscrutando os porquês
do amor, do desamor, das idas e vinda (vazias)
da primavera sem bouquets
do cinza no meio da vida
Mas viver não é isso apenas:
enquanto a vida foge,
eu a te escrever poemas?
Ou será mais? se for,
que seja sonho, delírio que me aloje
em tua cama, teus beijos, teu amor!
Seu Joaquim (marcelo tadeu) tem 55 anos e é auxiliar de limpeza.
O faxineiro
Um dia desses
Varrendo a calçada
Parei pra pensar,
Fiquei olhando os carros
As vitrines
As roupa e as pessoas
E observei:
Os meus sonhos para alguns
São tão comuns
Que fiquei assustado
Um pouco tonto e com medo,
Me sentei em uma cadeira
E perguntei ao amigo do lado,
- Será que tudo que passa
pela minha cabeça
é besteira...
José da Silva (caranguejúnior) é guardador de carros - flanelinha -, tem 37 anos e atualmente mora na Rua das Esquinas Quaisquer.
Viagem dos Sonhos
Não peguei o bonde
Que passou em direção à Felicidade
Fiquei aqui
Perdido nesta cidade
Esquecido
Meu trabalho de guardador
Quebra o galho durante o dia
Guardo a dor no coração
Guardá-la eu não queria
Como o pão
Que o diabo amassou
Leio as notícias
Do meu cobertor
Choro sozinho
Rio sozinho
E sozinho vivo
Conversando com a lua
Que me garoa
Esperto fico
Sonho com o dia
Em que o bonde retornará
E eu poderei embarcar
E seguir viagem
Maicon da Silva (andré dia(s/z)?) é engraxate, nasceu em 1982 em Capão Redondo. Pegou gosto pela poesia ao encontrar uma antologia de poetas em uma caçamba de construção, juntamente com centenas de livros escolares novinhos em folha, bem próximo a uma escola pública.
Tem o sonho de publicar um livro, mas antes pretende juntar um dinheirinho para poder comprar um terno e gravata, pois percebeu que colegas de profissão que se vestem melhor têm a preferência dos "doutor" na hora da engraxada.
O Pisante do Doutor
Eu engraxo
com gosto,
pois engraxar
é uma arte.
Lambuzo de graxa
o pisante do doutor,
que se acha importante,
me olha todo superior,
mas ele mesmo, coitado,
não sabe dar o brilho
que eu dou
nos sapatos que vão embora
pros lugares onde nunca
poderei entrar.
Eva Ruiz (paulo d'auria) é professora de geografia aposentada da rede pública estadual. Atualmanete ministra oficinas de cordel em bibliotecas municipais. Tem 65 anos, é divorciada, não tem filhos e mora sozinha. Já teve fantasias com suas alunas.
Só, neto
Passam-me as horas do dia
esperando por você,
passam sem nenhuma alegria
molhadas pela chuva fria.
E eu perscrutando os porquês
do amor, do desamor, das idas e vinda (vazias)
da primavera sem bouquets
do cinza no meio da vida
Mas viver não é isso apenas:
enquanto a vida foge,
eu a te escrever poemas?
Ou será mais? se for,
que seja sonho, delírio que me aloje
em tua cama, teus beijos, teu amor!
Seu Joaquim (marcelo tadeu) tem 55 anos e é auxiliar de limpeza.
O faxineiro
Um dia desses
Varrendo a calçada
Parei pra pensar,
Fiquei olhando os carros
As vitrines
As roupa e as pessoas
E observei:
Os meus sonhos para alguns
São tão comuns
Que fiquei assustado
Um pouco tonto e com medo,
Me sentei em uma cadeira
E perguntei ao amigo do lado,
- Será que tudo que passa
pela minha cabeça
é besteira...
José da Silva (caranguejúnior) é guardador de carros - flanelinha -, tem 37 anos e atualmente mora na Rua das Esquinas Quaisquer.
Viagem dos Sonhos
Não peguei o bonde
Que passou em direção à Felicidade
Fiquei aqui
Perdido nesta cidade
Esquecido
Meu trabalho de guardador
Quebra o galho durante o dia
Guardo a dor no coração
Guardá-la eu não queria
Como o pão
Que o diabo amassou
Leio as notícias
Do meu cobertor
Choro sozinho
Rio sozinho
E sozinho vivo
Conversando com a lua
Que me garoa
Esperto fico
Sonho com o dia
Em que o bonde retornará
E eu poderei embarcar
E seguir viagem
Reflexões sobre entrevista de Donizete Galvão
"(...)Vidas acanhadas atrás de janelas / na cidade que não definha nem prospera. / (...) Nunca saí deste círculo de ferro. / Nunca saí dessa Minas que não termina." Trechos de "Ruminações", poema de Donizete Galvão.
Neste sábado na Papoetaria, discutimos uma entrevista do poeta Donizete Galvão concedida a Andréa Catropa para o programa Ondas Literárias.
A partir dessa discussão, vários temas foram sugeridos para o nosso "Poema do Dia", entre eles, "Vida Besta", "A Poesia Como Antídoto da Morte" e o fato da poesia estar fora do mercado, ou seja, "A Poesia Não É Mercadoria".
Abaixo, nossa produção:
Planejamento (vida besta)
Caranguejúnior
Quatro horas da matina
acordar, tomar banho
trocar de roupa e sair
Quatro ônibus
e um trem...
Trabalhar, sufoco
suor na testa
cimento nos olhos
Quatro pessoas
conversa no almoço
Quatro garfadas
e um arroto
Quatro passos
trabalho, sufoco
Suor na testa
cimento nos olhos
Quatro para às seis
final do espediente
quatro pessoas
na parade de ônibus
Quatro ônibus
e um trem...
Quatro passos
para casa
tomar banho
trocar de roupa
e dormir... zzzz
Poesia Antídoto da Morte
Marcelo Tadeu
Sei que um dia
não estarei mais aqui
O meu corpo, minha alma
estarão em outro lugar
que não sei onde é,
Neste momento não quero discutir
sobre este segredo,
Só quero ressaltar
que minha memória
ficará aqui
para sempre
Poesia Não é Mercadoria
André Dia(s/z)?
Fui no mercado,
entre as embalagens
coloridas
não havia poesia,
Falaram que lá
não vende dessas
coisas não.
Chegando em casa
sentei no vaso
e das entranhas
tirei inspiração,
Escrevi versos
que os outros
chamam de merda,
Não sevem para vender
mas me alimentam
Carros de boi, carros de bestas
Paulo D'Auria
não é porque os automóveis não choram como choravam os carros de boi
não é porque a janela se abre para o muro e não para o coreto
não é porque o metrô itaquera anda mais a passo que a carroça de Odualdo
não é por nada
não é por tudo
que a vida besta deixa de girar como vespa
como mosca varejeira depositando seus bernes
na água parada dos cérebros estacionados
a tv ligada a tv desligada
não se passa nada
não é porque eu lembro que era melhor
não é porque anseio será melhor
não é por nada
não é por tudo
que eu vou esquecer
que a roda do mundo deixará de girar
vomitando estações
onde
não quero saltar
Neste sábado na Papoetaria, discutimos uma entrevista do poeta Donizete Galvão concedida a Andréa Catropa para o programa Ondas Literárias.
A partir dessa discussão, vários temas foram sugeridos para o nosso "Poema do Dia", entre eles, "Vida Besta", "A Poesia Como Antídoto da Morte" e o fato da poesia estar fora do mercado, ou seja, "A Poesia Não É Mercadoria".
Abaixo, nossa produção:
Planejamento (vida besta)
Caranguejúnior
Quatro horas da matina
acordar, tomar banho
trocar de roupa e sair
Quatro ônibus
e um trem...
Trabalhar, sufoco
suor na testa
cimento nos olhos
Quatro pessoas
conversa no almoço
Quatro garfadas
e um arroto
Quatro passos
trabalho, sufoco
Suor na testa
cimento nos olhos
Quatro para às seis
final do espediente
quatro pessoas
na parade de ônibus
Quatro ônibus
e um trem...
Quatro passos
para casa
tomar banho
trocar de roupa
e dormir... zzzz
Poesia Antídoto da Morte
Marcelo Tadeu
Sei que um dia
não estarei mais aqui
O meu corpo, minha alma
estarão em outro lugar
que não sei onde é,
Neste momento não quero discutir
sobre este segredo,
Só quero ressaltar
que minha memória
ficará aqui
para sempre
Poesia Não é Mercadoria
André Dia(s/z)?
Fui no mercado,
entre as embalagens
coloridas
não havia poesia,
Falaram que lá
não vende dessas
coisas não.
Chegando em casa
sentei no vaso
e das entranhas
tirei inspiração,
Escrevi versos
que os outros
chamam de merda,
Não sevem para vender
mas me alimentam
Carros de boi, carros de bestas
Paulo D'Auria
não é porque os automóveis não choram como choravam os carros de boi
não é porque a janela se abre para o muro e não para o coreto
não é porque o metrô itaquera anda mais a passo que a carroça de Odualdo
não é por nada
não é por tudo
que a vida besta deixa de girar como vespa
como mosca varejeira depositando seus bernes
na água parada dos cérebros estacionados
a tv ligada a tv desligada
não se passa nada
não é porque eu lembro que era melhor
não é porque anseio será melhor
não é por nada
não é por tudo
que eu vou esquecer
que a roda do mundo deixará de girar
vomitando estações
onde
não quero saltar
POEMAVERA
Você flor esperta alada despetalada
Ao meu lado me desperta de um
Sonho de verão nessa
Primeira primavera
Com um cheiro
No cangote
Me
Falando
Que
As
Flores
Já
Abriram
Para
Que
Eu
Não
Perca
A
Hora
E
Não
Chegue
Atrasado
Na
Estação
Cidade Jardim
E já é Primavera...
Caranguejúnior
SÉRIE SOBRE A DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ
__________________________________
Utilidade Pública dos Poetas do Tietê:
A Rádio Eldorado FM estreou uma série sobre a despoluição do Rio Tietê em seu Site.
Nesta semana, a Rádio Eldorado celebra vinte anos da campanha da despoluição do Rio Tietê. O projeto, inspirado na experiência inglesa com o Rio Tâmisa, mobilizou milhares de pessoas no inicio da década de 90 com intuito de se criar uma solução para a sujeira que toma o rio que corta o Estado de São Paulo. Após ampla adesão da população e de diversas entidades ligadas à preservação do meio ambiente, o governo do Estado criou em 1992 o “Projeto Tietê”, que agora chega à terceira etapa.
Para ler e ouvir mais sobre o assunto e se antenar neste problema que está embaixo e definitivamente dentro de nossos narizes, é só acessar o site da Radio Eldorado FM.
Caranguejúnior
Utilidade Pública dos Poetas do Tietê:
A Rádio Eldorado FM estreou uma série sobre a despoluição do Rio Tietê em seu Site.
Nesta semana, a Rádio Eldorado celebra vinte anos da campanha da despoluição do Rio Tietê. O projeto, inspirado na experiência inglesa com o Rio Tâmisa, mobilizou milhares de pessoas no inicio da década de 90 com intuito de se criar uma solução para a sujeira que toma o rio que corta o Estado de São Paulo. Após ampla adesão da população e de diversas entidades ligadas à preservação do meio ambiente, o governo do Estado criou em 1992 o “Projeto Tietê”, que agora chega à terceira etapa.
Para ler e ouvir mais sobre o assunto e se antenar neste problema que está embaixo e definitivamente dentro de nossos narizes, é só acessar o site da Radio Eldorado FM.
Caranguejúnior
Haiquasis III
Nesta postagem a participação mais que especial de Wellington Souza, do Benfazeja Comunidade Literária
Well Souza:
I
Grama artificial
não se apega
à natural
II
Casa vermelha
árvore vermelha
moça vermelha
Caranguejúnior:
I
Líbélula no orelhão
pessoas apressadas na calçada
vem e vão
II
Na mesa do bar
mãos no bolso
vento a soprar
II
Roseira na calçada
pára-raios a seu lado
a sorte está lançada
Paulo D'Auria
I
Céu cinza
flores vermelhas
inverno ainda
II
O vento sopra
o homem passa
sem deixar vestígios
André Dia(s/z)?
I
A palmeira balança ao vento
como um charuto trêmulo
na boca de um bêbado
II
A menina corre descalça
saliva em minha boca
inveja da sujeira em sua sola
Well Souza:
I
Grama artificial
não se apega
à natural
II
Casa vermelha
árvore vermelha
moça vermelha
Caranguejúnior:
I
Líbélula no orelhão
pessoas apressadas na calçada
vem e vão
II
Na mesa do bar
mãos no bolso
vento a soprar
II
Roseira na calçada
pára-raios a seu lado
a sorte está lançada
Paulo D'Auria
I
Céu cinza
flores vermelhas
inverno ainda
II
O vento sopra
o homem passa
sem deixar vestígios
André Dia(s/z)?
I
A palmeira balança ao vento
como um charuto trêmulo
na boca de um bêbado
II
A menina corre descalça
saliva em minha boca
inveja da sujeira em sua sola
Haiquasis II
André Dia(s/z)?:
I
leio na placa
que é proibido pisar na grama
então, simplesmente olho
II
minha cara na privada
a urina que cai
deforma meu reflexo
Paulo D'Auria:
I
o sol através
das verdes folhas,
amoras no pé
II
um salto
e o ipê amarelo
no preto asfalto
III
quase ilusão
duas estrelas no espelho do Tietê
uma se move, era avião
I
leio na placa
que é proibido pisar na grama
então, simplesmente olho
II
minha cara na privada
a urina que cai
deforma meu reflexo
Paulo D'Auria:
I
o sol através
das verdes folhas,
amoras no pé
II
um salto
e o ipê amarelo
no preto asfalto
III
quase ilusão
duas estrelas no espelho do Tietê
uma se move, era avião
ah, o amor!

O amor e o desamor por 4 Poetas do Tietê:
Preconceito
Marcelo Tadeu
Para quem não gosta de escrever sobre amor
Eu vos digo
Não tem como fugir
Ele se veste de várias formas
Se apresenta com várias máscaras
E no seu texto
Ele pode estar lá
Como outra palavra
Marcelo Tadeu
Para quem não gosta de escrever sobre amor
Eu vos digo
Não tem como fugir
Ele se veste de várias formas
Se apresenta com várias máscaras
E no seu texto
Ele pode estar lá
Como outra palavra
Meu nome é bonde, perdi o bonde
Paulo D’Auria
passou o bonde
o trem
bala
passou o a
mór
por que não escrevo mais os velhos poemas de amor ou por outra
por que não me apaixono mais
perdia a capa-cidade de amar?
qual o sentido de se doar
em um mundo em que tudo se latro-sina?
e pra não dizer que não falei das flores
do bouquet de 1.000 rosas roubadas
poderia relembrar a primeira namorada mas
perdi o bonde
o trem
bala
perdido (n)a estação
qual poeta de folhetim
e assim sem nem começar
o poema de amor chega
ao fim
o poema de amor chega
ao fim
O amor
André Dia(s/z)?
O horror
de me prender
nessa cruz,
O amor.
Não! Não mais!
Tirem os pregos
dessas chagas!
Não mais sangue!
Não mais pus!
Não mais lágrimas!
Só o esperma,
o gozo da masturbação!
Santa Punheta
Do Amor-Próprio!
Não era amor, era...
Caranguejunior
Pensei que era
Meu amô
Senti que era
Seu amô
Quando me tocava
E me olhava
Em minha barriga acontecia
Uma revoada de borboletas
Pensei que era amô
Senti que já era!
Quando o médico diagnosticou:
Não era amô querida
Era lombriga...
O amor é foda
Caranguejunior
O amor sou eu
O amor é você
E eu
O amor somos nós
O amor é você perto
Eu longe
E nós juntos na cama
O amor é definitivamente foda
É foda!
poesia social
"Por que existem favelas? / Por que há ricos e pobres? / Por que uns moram na lama / e outros vivem como nobres? / Só te pergunto essas coisas / pra ver se você descobre"
Trecho de "Quem matou Aparecida" de Ferreira Gullar
A poesia social de 2 Poetas do Tietê
Zé
Paulo D’Auria
é possível tirar alegria do homem que dorme na rua
é possível tirar poesia?
a comida acabou
a noite esfriou
a festa nunca começa
é possível cobertor tão grande para toda gente
é possível cobrir os pés da poesia
sem descobrir a cabeça?
e agora
a garrafa acabou
uma última gota
no meio do labirinto escuro
até as orelhas me cubro
escorro no salão de espelhos escusos
a festa nunca começa
a comida esfriou
a garrafa virou
zé
a poesia acabou
Quase chão
André Dia(s/z)?
Lá está
ele,
caído no meio-fio,
quase concreto,
quase chão.
Preta é sua cor
de sujeira
por cima
da cor negra
de luta.
Vida dura,
de miséria
de pele escura,
diferente
da vida bem nascida
que anda
de cabeça erguida
passando por cima
dele,
quase chão.
Trecho de "Quem matou Aparecida" de Ferreira Gullar
A poesia social de 2 Poetas do Tietê
Zé
Paulo D’Auria
é possível tirar alegria do homem que dorme na rua
é possível tirar poesia?
a comida acabou
a noite esfriou
a festa nunca começa
é possível cobertor tão grande para toda gente
é possível cobrir os pés da poesia
sem descobrir a cabeça?
e agora
a garrafa acabou
uma última gota
no meio do labirinto escuro
até as orelhas me cubro
escorro no salão de espelhos escusos
a festa nunca começa
a comida esfriou
a garrafa virou
zé
a poesia acabou
Quase chão
André Dia(s/z)?
Lá está
ele,
caído no meio-fio,
quase concreto,
quase chão.
Preta é sua cor
de sujeira
por cima
da cor negra
de luta.
Vida dura,
de miséria
de pele escura,
diferente
da vida bem nascida
que anda
de cabeça erguida
passando por cima
dele,
quase chão.
O SERTÃO VAI VIRAR SÃO PAULO E SÃO PAULO VAI VIRAR SERTÃO
)))))))))))))) ((((((((((((((
Dias SECOS))) SECOS))) SECOS))))))
Ar SECO))) SECO))) SECO)))))
Povo SECO))) SECO))) SECO)))
Olhar SECO))) SECO))) SECO)))))
Lábios SECOS))) SECOS))) SECOS)))
Boca SECA SECA SECA
Garganta SECA SECA SECA
E eu reverberando)))) poesias de concreto...
)))))))))))))) ((((((((((((
Caranguejúnior
Dias SECOS))) SECOS))) SECOS))))))
Ar SECO))) SECO))) SECO)))))
Povo SECO))) SECO))) SECO)))
Olhar SECO))) SECO))) SECO)))))
Lábios SECOS))) SECOS))) SECOS)))
Boca SECA SECA SECA
Garganta SECA SECA SECA
E eu reverberando)))) poesias de concreto...
)))))))))))))) ((((((((((((
Caranguejúnior
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