em branco

o dia em que o samba morreu

foto: http aleoesp.files.wordpress.com
Foi assim que se assucedeu:
O samba desceu
Na rodoviária velha,
Aquela dos losangos coloridos.

Se vinha da Bahia ou do Rio
Ainda não se decidiu,
(mas isso pouco importa agora,
tivesse continuado em qualquer destas
abençoadas terras,
já teria tido
igual fim).

Sem conhecer ninguém,
Com a cuíca e a coragem,
Bateu de porta em porta
Procurando abrigo.

Era junho,
Paulistanos gélidos lhe franziam
O desconfiado cenho.

Dormiu por três dias na escadaria da Sé,
Perdeu primeiro a alma
Em seguida a fé,
Se vinha da Bahia ou do Rio
Ainda não se decidiu,
Na madrugada do quarto dia,
(me lembro bem, era quarta, quarta de cinzas)
Morreu de frio.

me diga com quem andas


Com quem andas, samba?
Eu lhe direi quem é,
Se é bom sujeito ou não é.

Se já apareceu na Bebe, no Frufru ou no Glutão,
Ponto contra, meu irmão.
Se for sujeito bonito, lindo ou belo,
Cuidado pra não acabar na prisão.
Baiano ou jogador de futebol
Só pensa em meter o tchan na jogada
Rebolada, rebolada,
Em troca de uma boa bolada.

Ai, ai meu Deus,
O que foi que aconteceu
Com o samba na alma do brasileiro,
O samba verdadeiro?
Com o ritmo e a poesia
Da caixinha de fósforo e do pandeiro?

Com quem andas, samba?
Eu lhe direi quem é,
Se é bom sujeito ou não é.

Fale comigo de homem pra homem,
Moço, pobre moço,
E fique sabendo já de uma vez,
- depois que você se chamar saudade
não vá dizer que eu não avisei -
Dentre todos esses arrivistas
O mais perigoso é o que chamam paulista,
Este ainda leva
O seu luar e o seu violão!

memórias de um jovem rockeiro - 2 - queen

Queen e Deep Purple eram minhas bandas de rock preferidas.
Na MPB, Milton Nascimento e 14 Bis. Preferia o som de Minas instintivamente, sem discernir ainda que essa "facção" da MPB era a que melhor processava a influência do Rock, especialmente dos Beatles.

Mas, dizia, Queen e Deep Purple eram minhas bandas de rock preferidas, por isso, quando se anunciou que o Queen viria ao Brasil, eu decidi: "precisava" ir.
Ainda mais que eu vos falo de 1981, nesta remota época as grandes bandas não se arriscavam abaixo do Equador - Deep Purple tive que esperar mais cinco anos para ver.

E olha que meu pai - preocupado com os rockeiros mal-encarados, com as más companhias, com as drogas - me ofereceu todos os discos do Queen em troca do ingresso para o show.
Não digo, "Ah, se fosse hoje!", porque hoje posso baixar a discografia do Queen "de grátis" pela Internet, mas "Ah, se fosse há cinco anos atrás!" Depois que passei dos trinta, dou um boi para não me meter no meio dessas multidões!
Mas em 1981 eu tinha 15 anos e Queen ao vivo, eu sabia, seria "o grande acontecimento da minha vida!"

A prefeitura disponibilizou ônibus "especiais" que saíam do Anhangabaú para o Estádio do Morumbi, palco do grande show.
Se ir da Freguesia ao centro da cidade já não era um passeio, se espremer nos velhos CMTCs lotados, então...
Mas fomos, estóicos como apenas os adolescentes podem ser, fomos. Eu e minha turma.

Dentro do estádio, reinava a mais completa calmaria. A lua cheia espreitando meus sonhos por trás de nuvens que passavam velozes.

Somebody to love, Love of my life, Bohemian Rapsody etc etc etc.
E, pairando acima de tudo – (meu pai, afinal, tinha lá sua razão) – uma densa nuvem de fumaça dos milhares de "cigarrinhos" que - (ainda que como fumante passivo) - devem ter contribuído minimamente para fazer desta noite um dos top-hits de minha vida.

Na semana seguinte, no jantar dominical de família, as já famosas pizzas na casa de minha madrinha, quem diria, as tias comentavam empolgadíssimas o show transmitido ao vivo pela Globo.

Uma delas, inclusive, jura que me viu entre os milhares de jovens da platéia.
Pena que não gravou...

são paulo é terra de rock

São Paulo, terra fértil,
em se batucandotudo dá:
São Paulo dá samba, dá jazz,
até lambada, veja você, São Paulo dá.

Mas São Paulo é terra de rock.
Assim como ninguém vai ao Rio para ver Ana Júlia
ficar ligeiramente grávida
graças ao bilau do ursinho blau-blau,
Ninguém há de vir a São Paulo
para ouvir pagoeiro mauricinho chorar
a chifrada da namorada amada.

São Paulo é terra de rock
São Paulo é mais londrina do que Londrina
São Paulo é mais londrina do que Londres ao longe!
Se eles têm Lennon e MaCcartney
nós temos Mutantes,
Se eles têm Sex Pistolsnós temos As Mercenárias
que são mais machas
que Sid Vicious e Mick Jagger juntos.

Vinicíus entendia do riscado
desde que aquele das onze partiu lotado
não chegou mais trem algum
na plataforma da Ipiranga com a São João.

Isto aqui é o túmulo,
é o cúmulo do samba!
E daí?
Não somos menos brasileiros por isso,
o Brasil é verde-amarelo-preto,
o Brasil é sobretudo cinza,*
é pandeiro, é maracatu, é punk!

O brasileiro é genial
Porque o Brasil é maior que o carnaval,
Porque samba é sole rock é garoa,
Porque samba é malandroe rock é urgente,
Porque o samba é praiae o rock é Marginal.

Dizem que o próprio Adoniram,
depois de tanto levar flechada do teu olhar,
encontrou a pazao tirar
aquele som dos Titãs.




* (São Paulo é o Brasil de sobretudo cinza,
Como bem traduziu o Ira:
"Nas ruas é que me sinto bem,
Visto o meu capote e está tudo bem
Está tudo bem")

aumenta que são paulo é rock'n'roll

Na Lapa o túmulo da minha família
Na Freguesia, da tua
Na Cachoeirinha, ossadas clandestinas
Vítimas da ditadura.

Na Consolação, a burguesia
Na Vila Formosa, mucamas, carpinteiros, diaristas
No Chora Menino, a poesia.

Túmulo, túmulo, túmulo do samba
Da banda de pífanos, do frevo, da ciranda
Do coco, do maracatu, do baião.
São Paulo não tem jeito
São Paulo não tem ritmo
São Paulo ninguém ama
São Paulo não tem palmeiras nem sabiá
São Paulo ninguém canta
Ninguém tem saudade
Ninguém abandona,
Pasárgada dos desgraçados
Dos esquecidos, da solidão.

São Paulo parece mentira
É tudo verdade,
Buzinas na marginal
Tiros na madrugada
Sintonia do caos
Sinfonia mal acabada
Mal amada
Desafinada
Peito sem coração.

São Paulo que não para
Fermenta, aumenta, aumenta
Aumenta que São Paulo é rock'n'roll!

unplugged

(Marcelo Ferrari)

se eu pudesse falar o que penso
diria vai toma no cu! (unplugged)
diria que o rei está nu
mas que ele não é capaz de perceber
porque a roupa está dentro dele
diria: o mar é bonito
diria: a mar é bonito
diria: é foda!
(com pedal de distorção)
diria: agora!
(com efeito de delay)
diria o que vovó já dizia:
que tem dias que é melhor ser minhoca
pra não pensar em deus
e ter medo do inferno
diria que é edifício mendes
mas que também não é
que sou eu
mas que também não sou
que é o céu azul
dois policiais e um jabuti
que sou eu
mas também não sou
mas é como se fosse
diria que nunca se sabe quando vai aparecer
a cachoeira da surpresa
e que é justamente por isto
que estou falando isto
que estou falando
diria que bemol é rosa branca
mato molhado
sonata de beethoven
suspiro em bolo de aniversário
noticia de morte de criança
mas sustenido
sustenido mesmo
e sentir rock and roll
e chorar pianinho

memórias de um jovem rockeiro - 1 - punk da periferia

Desavisado leitor, se vai se embrenhar por esta série de crônicas que começo hoje a publicar, devo alertar: os anos compreendidos entre minha sétima série e o dia de meu casamento são como uma grande gaveta desarrumada da qual vou tirando lembranças ao acaso.
São aí uns vinte, vinte e poucos anos de bagunça mental que vão mais ou menos de 1979 à 1991 e que correspondem ao mítico período da juventude.

Gilberto Gil compôs "Punk da periferia" (Sou um punk da periferia / Sou da Freguesia do Ó, ó, óuóuó / Aqui pra vocês!) em um dia qualquer perdido dentro desta gaveta.
Quando a música começou a pipocar nas rádios, sendo eu da Freguesia, meus amigos de "fora" inevitavelmente me questionavam sobre os punks da periferia.
A verdade é que a Freguesia tinha apenas 3 punks que andavam sempre juntos formando um grupo parecido ao do "Penadinho" do Maurício de Souza: um era manco e usava bengala, o outro era alto e magro e usava óculos, e o terceiro... bem, não me lembro mais do terceiro!

As tribos dominantes na Freguesia eram os "boyzinhos", que seriam os "mauricinhos" de hoje, e os "bicho-grilos", que se vestiam com batas feitas em casa com sacos de farinha ou camisetas brancas de bandas de rock. Eu fazia parte desta segunda tribo.

Creio que não por acaso as camisetas de bandas de rock nesta época eram brancas (e não pretas como hoje em dia), acontece que os "bicho-grilos" não eram apenas rockeiros, mas um pouco de cada de todas as tribos "cabeça" que existem hoje em dia. Nós curtíamos MPB, blues, jazz e qualquer outra música papo-cabeça que caísse em nossas vitrolas.

A grande responsável por esse ecletismo em nosso gosto musical deve ter sido a saudosa Bandeirantes FM. (Se algum dia, por um acaso do des-tino, você ouvir um tal de Billy Bond cantar "Ela levantou, saiu pela porta / Com a mesma saia que ontem usou (...) Mas quero vê-la outra vez / Ouvir Bandeirantes, ler Jornal da Tarde / Esquentar a minha cama", fique sabendo que era a essa Bandeirantes FM que ele se referia. Uma rádio que tocava de Frank Sinatra à Led Zepellin, de Chico Buarque à The Eagles em sua programação normal e ainda tinha programas específicos de música Latino Americana, Jazz etc e tal).

Não sei por onde andam os três punks da Freguesia, ainda moro no bairro, mas nunca mais os vi. Talvez tenham montado uma banda e se mudado para a Austrália onde hoje são celebridades locais, talvez tenham se vendido ao sistema e eu já não os reconheça no ônibus vindo do escritório, a gravata afrouxada, o suor minando de nossas carecas outrora gloriosas porta-estandartes de nossos falecidos ideiais.



Bob Cuspe, personagem do cartunista Angeli

RECIFE/OLINDA -> DESCENDO LADEIRA...


Recife
olinda
Descendo ladeira
Guararapes
Quatro cantos
Pitombeiras...

de pés descalços
rasgando o asfalto
vai caindo na brincadeira

elefantes
vassourinhas
Capiba
Zé pereira

o frevo rasgado
no Mercado da Ribeira
se estende além da quarta-feira

Homen da meia-noite
Mulher do dia
Bloco da saudade
Maracatu
Folia...

O Galo é da Madrugada

da nação Zumbi
Nação Pernambuco
Alceu Valença
Faces do Suburbio

Marco Zero
Varadouro
Tudo é alto astral
frevo
samba
côco de roda
metal...

Recife
Olinda
Carnaval
Multicultural...

Caranguejúnior -> êêê Saudade...

SÃO PAULO...O PUNHO DO BRASIL!!


São Paulo que arde
São Paulo sem cores

os acordes de suas Buzinas
os riffs do som urbano
metropolitanos
rodando...rodando

um Mosh no desconhecido
que arde
sem cores
São Paulo Hard-Core!

o Monóxido de cada dia nos dai hoje...

venenosa
Letal
São Paulo Trash
São Paulo Metal
Cidade Sólida
corações a mil...

São Paulo
O PUNHO DO BRASIL...

Caranguejúnior direto da lama...

eterna quarta de cinzas

Segunda, terça, quarta
quarta, quarta, quarta!
Em São Paulo é quarta-feira de cinzas todo dia,
todo dia o samba morreu,
todo dia.

Segunda, terça, quarta
quarta, quarta, quarta!
Eterna e sufocante quarta de cinzas,
como se o vulcão do Jaraguá,
modorramente desadormecido,
expelisse sua borra
aos poucos,
todo dia,
dia a dia,
- segunda, terça, quarta,
quarta, quarta, quarta! -
em cima da cabeça do paulista,
nos cabelos da paulista,
na salada,
no pintura da roda cromada,
no chão sala da dona de casa.

Em São Paulo só existe alegria no domingo,
depois da maCarronada com a família, antes do fantástico.
Você acha, meu caro carioca, que eu vou sambar neste par de horas?

My enbromation

A escola vai
passando...
Pela colorida avenida,
Meu estômago revirando...
Puto! Puto da vida!

Não tenho TV a cabo,
Apenas o pequeno som...
Não sei o que faço...
Boto "The Who", isso é bom...

"My Generation" vai tocando...
Eu penso: E minha geração?
Estou velho, os sonhos terminando...
Pulo ao som do som, em vão!

Canto no "enbromation"
que sempre cantei...
Enfim, termina "My Generation"
Ligo a TV, só tem o Baile Gay!

Morte ao ziriguidum!

O rock
nunca irá morrer...
Enquanto durar
o asco ao carnaval!
E o tédio
ao desfile das
escolas de samba!
Parem com a batucada!
Morte ao ziriguidum!
Mas, poupem as mulatas...
com suas lindas bundas de ébano!
Que rebolem no meu
funeral...
Ao som de um
solo de guitarra!

A Galeria do Rock

Perambulo...
final de tarde,
olhando as vitrines...
Galeria do Rock!

O skinhead
estranha o punk...
que estranha o headbanger...
e todos estranham o emo!

Mas, hoje...
Treta, só se for lá fora
Galeria virou shopping...
A mamãe leva o nenê...

O segurança
está de olho...
Vinil é raro e caro...
Já não há o charme underground!

Mas é o paraíso...
Perto de uma roda de samba,
com certeza!

gaitas de bob dylan

(Marcelo Ferrari)

o duque de quequequé
me pergunta se sou louco
não respondo que sim
nem que não

respondo perguntando:
que motivos me dá
para conjugar o mesmo sapato
vestir o mesmo alfabeto
beber o mesmo alfaiate
ter o mesmo alfinete
espetado no norte?

respondo perguntando:
qual a vantagem de aprender as partituras
de mozart, de bethoveem
de chopin, de strauss
e não apreciar
as gaitas desafinadas
de bob dylan?

respondo perguntando:
o que é melhor?
quéquiqué?
quéquiquo?
ou quáquáquá?

respondo perguntando:
por acaso existe dois iguais?
se existe
o que é acaso?
existe dois diferentes?
se existe
porque um mais um?

respondo perguntando:
quemquequé saber?
porquequé?
porque porque?

e depois...
não respondo mais nada.

tema rodoviária

começo - fim

imbecis, ou os desesperançados

conto escrito em 1999, baseado em uma história real/notícia de jornal.

- São trouxas, caem como moscas na sopa.
- Mas
- Vai dizer que tem dó?! É mole, são uns imbecis. Os imbecis nasceram pra serem dominados pelos fortes. Vai acabar pegando gosto na coisa, é a lei da sobrevivência. E depois a gente não mata ninguém, mata? Pois é, tu gosta de tomar teu goró, gosta de ir num forró, de pegar as gatas, gosta de pulseira, colar, anel, perfume, tênis caro... Tem que fazer por onde!
...
Venderam tudo, a parca terra castigada pela seca, uns poucos anéis de ouro da época da vó, porco, galinha, sofá, cadeira, cama. Só ficou a velha máquina de costura porque a mãe, costureira de mão cheia, cismou de fazer fortuna com ela na cidade grande.
O pai estava cheio de esperanças, um irmão que já tinha ido escrevera que estava bem de vida, trabalhando de servente numa obra e que tinha até lugar pra ele. Mandou endereço e tudo. A professora das crianças leu a carta e o pai decidiu.
Com tudo, tudo, tudo, juntaram um dinheirinho que dava pra um mês na cidade grande, uma fortuna que nunca tinham contado assim em notas; suas vidas trocadas em miúdos.
Deu um trabalhão danado pôr a máquina de costura no ônibus, mas grandes esperanças se acomodam em qualquer cantinho. A viagem foi a semana mais feliz de suas vidas, comendo espetinho de carne e cerveja nos restaurantes de beira de estrada, descobrindo mundo, contando os quilômetros pra chegar.
...
- Esses tipos têm de monte, de longe a gente vê. Ó, tá vendo aqueles ali, com aquele papel na mão? Me observa. - Ato contínuo, virou-se para os tipos - Precisam de ajuda? Parece que estão perdidos...
- Ô, moço, a gente chegou agora, quer ir pra este endereço aqui... Será que tá longe?
- Deixa eu ver... Hummm, não é difícil, não. Vou falar com o taxista. Tem dinheiro aí?
- Por quê?
- A corrida é meio cara. Tem que ver se o dinheiro dá.
- Ô, se dá, seu moço! É uma dinheirama lascada!
- Deixa eu ver.
- Sei não.
- Eu venho, na maior boa vontade, tentar ajudar, e vocês ainda desconfiam de mim? Se virem, então!
- Desculpa ofender, seu moço, é que sabe como é que é...
- Deixa eu ver.
- Tá aqui.
- Deve dar, deve dar. Deixa eu falar com o homem.
Botou o dinheiro no bolso, virou-se para o parceiro, e disparou, "Tá vendo? Eu não disse que era moleza? Imbecis."

De fato, conversaram com um motorista de táxi, mas entraram no carro sem se voltar para chamá-los.

As crianças ficaram brincando de balançar os pés sentadas na máquina de costura, enquanto a mãe e o pai olhavam, desesperançados, o táxi desaparecer na cidade.

Vai ver ou vir?

Ei, olhe para mim
e imagine então como seria
passear pelos bosques da periferia,
desfilar nas passarelas que relam a rodovia
ou então voar pela avenida pendurado numa pipa
que mais parece um paraquedas, sustentando ideias velhas
quase sempre com varetas muito retas, muito mais fáceis de quebrar

Ou olhe pra ele
com um pouco de medo
ou vindo quem sabe do banheiro
mais alguma das histórias pelos cotovelos
de quem certamente já teve muitas pra contar,
só não desista de continuar pelos cantos do corredor
por mais que insistam ou implorem ou te peçam por favor

Agora olhe pra trás
e lembre-se da sua cidade
do que ela te traz como saudade
ou do que na realidade sempre foi ilusão,
pois que nesta nova incursão toda ação é reação
do que se tem vontade, basta assim muita coragem
força pra seguir viagem e tino aventureiro por superação

Mas olhe pra frente
coerente que: "sente que sim"
sem de repente "sentir-se que não"
e que se seu dia "vai e vem" e vê em vão
intermitentemente vai ver ou vir numa escada
descendo e subindo as plataformas de um terminal
sem que alguém te toque de nada, sem que toque um sinal